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Raf Simons revisita clássicos em estreia na Dior

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A cintura marcada dos vestidos de baile remetiam ao famoso tailleur New Look de Christian Dior. REUTERS/Benoit Tessier

O belga Raf Simons apresentou sua primeira coleção à frente da maison Dior nessa segunda-feira em Paris. No desfile, o mais esperado da semana da Alta Costura, o estilista revisitou alguns clássicos da grife, sem perder a austeridade que caracteriza seu trabalho. A apresentação foi divulgada simultaneamente pela internet. 


Os olhos do mundinho da moda estavam voltados para Paris nessa segunda-feira, onde além do pontapé inicial da semana de desfiles de Alta Costura, o dia também marcou a tão esperada estreia de Raf Simons à frente da maison Dior. Desde que o nome do estilista foi divulgado, em abril, como sucessor de John Galliano, demitido após ter proferido insultos racistas em um momento de embriaguez, todos queriam saber como o discreto belga iria impor sua marca. Afinal, Simons, de 44 anos, conhecido por suas linhas puras, tinha pela frente o desafio de substituir o estilo extravagante do britânico, que reinou durante mais de uma década em uma das principais empresas de luxo do mundo.

Como já era de se esperar, o novo diretor criativo da Dior mergulhou nos arquivos da maison e ressuscitou as linhas que tornaram a grife mundialmente famosa em 1947. O famoso tailleur Bar, mais conhecido com New Look, voltou à passarela instalada em uma mansão parisiense para a estreia do belga, mas dessa vez com linhas um pouco mais arquitetônicas em algumas peças. A alma da grife podia se sentida em quase todas as passagens, mesmo se o estilista tentou se impor aqui e acolá, com cores mais ousadas ou ao colocar, por exemplo, uma calça preta sob um vestido com uma fenda frontal. O tom austero de Simons também marcou presença em alguns looks, mesmo se o que certamente ficará na mente do público será sua reinterpretação dos códigos clássicos da marca.

Além das estrelas costumeiras das primeiras filas dos desfiles, grandes nomes da moda também compareceram para prestigiar a estreia de Simons. Marc Jacobs, estilista da Louis Vuitton, Alber Elbaz, diretor artístico da Lanvin, e Pierre Cardin responderam presente e não pouparam elogios ao colega. Mas Cardin, do alto de seus 90 anos, resumiu bem a situação delicada do belga que, segundo ele, respeitou a maison mas terá que impor sua personalidade. “Temos que reconhecer que é ele” na passarela, sentenciou.

Bernard Arnault, dono do grupo LVMH, líder mundial do luxo e proprietário da Dior, se disse satisfeito com o trabalho de Simons, que conseguiu fazer uma coleção “fantástica” com muita calma. O empresário, que esperou um ano antes de anunciar o nome do substituto de Galliano, afirma ter encontrado “o maior talento para a maior maison”.