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"A Bela Adormecida" é destaque da programação de Natal da Ópera de Paris

Por Taíssa Stivanin

Para quem está em Paris no Natal, a programação cultural é intensa, com espetáculos de teatro, dança e música. Na Ópera Bastille, uma das atrações é o balé "A Bela Adormecida", com o corpo de baile do ballet da Ópera de Paris e a primeira-bailarina argentina Ludmila Pagliero no papel da princesa Aurora.

O tempo passa, as novas tecnologias mudam a sociedade e a maneira de pensar das pessoas, mas algumas tradições permanecem. O Natal é uma delas, assim como os balés clássicos de repertório, que continuam encantando a nova e a velha geração.

Até o dia 4 de janeiro, a Ópera de Paris apresenta no teatro da Bastilha "A Bela Adormecida", na versão do coreógrafo e bailarino Rudolf Noureev, que dirigiu a companhia entre 1983 e 1989.

Desta vez, a princesa Aurora será vivida pela argentina Ludmila Pagliero, primeira-bailarina desde 2012 e única latino-americana a integrar a trupe, onde chegou em 2003.

Uma trajetória excepcional, já que Ludmila cresceu e se formou como bailarina no teatro Cólon, em Buenos Aires.

Em entrevista à RFI, no intervalo dos ensaios, ela contou como é o seu cotidiano em um dos corpos de baile mais tradicionais e renomados do mundo e também disse que, no futuro, pretende levar sua experiência para seu país natal. Confira :

Na sua opinião, porque os balés de repertório  como Quebra-Nozes ou a Bela Adormecida continuam encantando o público, ainda que as meninas não acreditem mais  no príncipe encantado ?

Os grandes balés clássicos tem um efeito surpreendente em termos de movimento e técnica nas pontas, que evidenciam o academicismo da dança clássica. É verdade que a dança contemporânea pode ser considerada mais tocante em nível artístico, porque é mais próxima da geração de hoje. Mas a dança clássica continua sendo algo mágico, um sonho que surpreende um público não-especialista.

Qual seu papel favorito no clássico de repertório?

Um dos balés que eu sempre sonhei em dançar é o Lago dos Cisnes. Foi o primeiro balé que eu vi quando era criança, e ele continua sendo, ainda hoje, para mim, o mais belo, o mais interessante para o intérprete feminino. Isso porque podemos mesmo ‘brincar’ com os dois temperamentos dos personagens : o cisne branco, puro e bom, e o cisne negro, seu oposto. É um jogo artístico muito interessante. Eu pude também interpretar o papel da princesa Aurora da Bela Adormecida quando eu tinha 17 anos, e isso foi muito importante para mim. Para carreira de bailarina, os grandes clássicos são verdadeiros desafios técnicos e de resistência.

Você é a única bailarina latino-americana da Ópera de Paris, e imagino, motivo de orgulho em seu país. Como é a recepção quando você passa as férias por lá, por exemplo ?

É sempre muito agradável voltar para a Argentina, ainda mais porque minha família ficou na América Latina. É uma honra fazer parte da América Latina e representá-la na Ópera de Paris. A Ópera me ensinou muita coisa, aprendi muito aqui. Mas a dança é internacional, há diversas nacionalidades, mas no palco, isso não vemos, vemos a arte da dança, o que é maravilhoso.

Existe uma diferença técnica e entre os públicos?

Sim, o público é diferente, sempre que eu volto para a Argentina, ou para a América Latina, existe esse calor, que representa bem esses países, e que podemos sentir no público. Em termos técnicos, temos excelentes bailarinos que vêm da América Latina. Mas é na Euorpa e nos Estados Unidos que a cena acontece, com novos coreógrafos, encontros. Foi o que me levou a deixar o país, porque estamos longe.

Você está no topo, o que imagina para o futuro ?

Por enquanto, aproveito o máximo possível quando estou no palco. O tempo passa rápido, e os encontros com os coreógrafos, ser um instrumento no momento da construção de um balé é o que me faz realmente feliz. Talvez um dia vou poder transmitir tudo isso que eu pude aprender, em meu país ou na América Latina. Mas ainda tenho muito para fazer antes disso.

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