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França é homenageada em festival de cinema de língua portuguesa

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O filme franco-português A Gaiola Dourada foi um dos principais sucessos das bilheterias em Portugal em 2013.

A França foi convidada para participar do FESTin (Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa), que acontece até a próxima quarta-feira (9) em Lisboa. Essa é a primeira vez que o evento homenageia um país não-lusófono em sua programação. A escolha coincide com a assinatura de um acordo para a produção de novos filmes franco-portugueses.


O objetivo principal do FESTin é reunir o que se faz de melhor na cinematografia em língua portuguesa. Mas para essa 5a edição, os organizadores decidiram convidar um país não-lusófono, afim de celebrar as colaborações cinematográficas entre diferentes nações do mundo. Para essa primeira mostra especial, o festival escolheu a França. Segundo Victor Serra, diretor institucional do FESTin, a decisão foi uma evidência. “Se nós pensarmos na quantidade de portugueses, ou de povos que se expressam nessa língua, sejam eles portugueses, brasileiros, cabo-verdianos ou angolanos que vivem na França, há uma proximidade enorme entre esses dois universos linguísticos. Sem esquecer a África, onde a ligação entre os nações de expressão francófona e as de expressão lusófona é muito forte”, comenta.

Em termos de cinematografia, essa relação cultural se expressa frequentemente sob forma de coproduções. Alguns exemplos dessa aproximação foram apresentados na mostra especial do festival lisboeta, como o documentário franco-cabo-verdeano Cesária Évora – Morna Blues, de Éric Mulet e Anaïs Prosaïc, ou a ficção O Grande Bazar, de Licínio Azevedo.

Mas o caso mais impressionante da história recente dessa parceria luso-francesa nas telonas foi o filme A Gaiola Dourada, uma comédia franco-portuguesa, escrita e realizada pelo luso-francês Ruben Alves. “Foi a produção que teve o maior projeção e a maior audiência em Portugal no ano passado”, competindo inclusive com blockbusters norte-americanos, relata o diretor institucional do FESTin. “São atores portugueses, mas o dinheiro e a produção é francesa”, comenta Serra.

A história de uma família de portugueses que decide retornar a Portugal após anos vivendo em Paris, mas tem que enfrentar a resistência dos filhos, nascidos na capital francesa, também conquistou o público nas telas da França. “Foi um enorme sucesso”, relembra Véronique Joo Aisenberg, diretora da Cinemateca Africa, que estava em Lisboa para o FESTin. Um resultado que não chega a ser uma surpresa, quando se sabe que o país acolhe mais de um milhão de luso-descendentes. Além disso, boa parte das inúmeras diásporas que vivem no território francês podiam facilmente se identificar com a trama.

O diretor Christophe Fonseca chegou a fazer um Making off da Gaiola dourada, que foi projetado na quinta-feira (3) no FESTin, antes de um debate sobre o tema das relações entre francofonia e lusofonia. “Havia um verdadeiro entusiasmo dos atores durante as gravações, pois muitos dos participantes, inclusive os figurantes, eram portugueses que emigraram no final dos anos 1960”, relembra o cineasta.

Acordo

A homenagem do FESTin coincide com a assinatura, na sexta-feira (4), de um acordo entre o Instituto do Cinema e Audiovisual (ICA), de Portugal, e o Centre National du Cinéma et de L´Image Animée (CNC), da França. O protocolo, validado em Paris, confirma a criação de um fundo de apoio, no valor de € 1 milhão, para a realização de produções cinematográficas entre os dois países.

De acordo com o secretário de Estado português encarregado da Cultura, Jorge Barreto Xavier, 80% da verba virá de Paris e o restante de Lisboa. Segundo um comunicado divulgado por seu gabinete, o acordo deve se concretizar em um prazo de três meses.