rfi

Ouvindo
  • RFI Brasil
  • Último jornal
  • RFI em francês

Paris Quadrinhos História em Quadrinhos HQ Salão do Livro de Paris

Publicado em • Modificado em

Quadrinhos brasileiros ganham destaque no Salão do Livro de Paris

media
Alguns dos álbuns de HQ do Brasil em destaque no Salão do Livro de Paris. Patricia Moribe

Entre os 48 autores brasileiros convidados para o Salão do Livro de Paris, há vários quadrinistas e roteiristas de HQ, que participam de debates com o público sobre o gênero no Brasil. A França é o segundo maior consumidor de quadrinhos do mundo, depois do Japão, um mercado que vem se abrindo e se interessando pelo Brasil.


Os irmãos gêmeos Fabio Moon e Gabriel Bá, com vários livros editados na França, estão lançando "Deux Frères", baseado no romance "Dois Irmão", de Milton Hatoum. Eles contam a história dos também gêmeos Omar e Yaqub, que se odeiam, descendentes de libaneses em Manaus. “Uma oposição elevada à nona potência, que não é o nosso caso, mas que funcionou como um desafio”, diz Fábio.

“Foram quatro anos de trabalho – dois para o roteiro e o restante para o desenho”, conta Gabriel. “A fase do desenho é quando o projeto realmente toma forma”, acrescenta. O livro foi feito sem restrição de tamanho, traduzindo a tendência de o mercado aceitar as propostas de histórias mais longas e mais elaboradas. “São essas histórias que vão para as livrarias, que atingem o público leitor de livros”, completa Fábio.

Crônicas desenhadas

“Mes chers samedis” é a tradução de “Sábados dos meus amores”, de Marcello Quintanilha, que escreve e desenha. Crônicas em movimento, “reflexo do que eu vivi, do que me fez como ser humano”, explica o autor, de Niterói, que vive desde 2002 em Barcelona. Sobre seu processo de criação, ele explica que desenho e palavras “chegam junto, porque são elementos de uma mesma engrenagem”.

Já o clima noir de “Copacabana” conta a história nua e crua de uma prostituta na mais famosa praia do planeta. O roteirista, editor e tradutor Lobo revela que a ideia surgiu de uma noite que quase terminou mal. “Eu saí de uma festa bêbado e desci do ônibus no ponto errado; percebi que ia ser assaltado e resolvi pedir ajuda a um travesti, um gigante de salto alto."

Livre do apuro e amigo do travesti, Lobo foi se interessando pela vida do bairro e percebeu o potencial para uma história em quadrinhos. “E hoje estou em Paris com o álbum; nunca imaginei que chegaria até aqui, é uma honra”.

 

HQ do Brasil é destaque no Salão do Livro de Paris 23/03/2015 Ouvir