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Museu de Roma promove diálogo entre esculturas e alta-costura

Por Silvano Mendes

A Galleria Borghese, em Roma, acolhe uma exposição que confronta as criações do costureiro Azzedine Alaïa e as obras esculturais de seu acervo. A agenda cultural europeia desta semana segue na temática da moda e faz escala no museu de Belas Artes de Bruxelas, que homenageia os estilistas belgas, antes de passar pelo Victoria & Albert Museum, em Londres, que se questiona sobre o verdadeiro sentido do luxo.

Apesar da overdose de marcas que compõem o universo da moda, raros são os estilistas que deixam um vestígio ao ponto de serem estudados nas escolas de design. Um deles é o franco-tunisiano Azzedine Alaïa, ícone dos anos 1980 e 90 que marcou a história por seu estilo, mas também por sua maneira especial de ver o mercado. Seguindo seu instinto, o discreto costureiro esnobou durante muito tempo o ritual dos calendários de desfiles e só apresentava suas coleções quando “se sentia pronto”. Mas além desse ritmo próprio, sua principal característica foi a paixão pelo corpo feminino, ao ponto tratá-lo como uma escultura.

Essa relação de Alaïa com a silhueta inspirou a realização de uma exposição que acontece nesse momento na Galleria Borghese, em Roma. Situado no parque que leva o mesmo nome, o museu italiano, conhecido por suas esculturas, decidiu confrontar seu acerto ao trabalho do franco-tunisiano. Batizada "Costura/Escultura", a mostra, que vai até 25 de outubro, cria um verdadeiro diálogo entre os vestidos do costureiro e as obras de grandes pintores e escultores, como Rubens ou Antonio Canova que, como Alaïa, tentaram em algum momento de suas carreiras sublimar a o corpo feminino.

Durante o percurso, o visitante se dá conta que, mesmo se uns trabalham com seus pinceis, estecas e formões, enquanto os outros moldam com tecidos ou couro, as disciplinas têm mais em comum do que imaginamos. E quando descobrimos que o mestre das tesouras estudou Belas Artes na juventude, pensando em um dia se tornar escultor, esse diálogo se torna ainda mais pertinente.

Os belgas na moda

Outro programa para quem estiver de passagem pela Europa nesse final de verão no hemisfério norte é a exposição “Les Belges - Une histoire de mode inattendue” (Os belgas, uma história inesperada da moda). Organizada pelo BOZAR, o museu de Belas Artes de Bruxelas, a mostra dá aos visitantes alguns indícios para explicar como um pequeno país, quase do tamanho do estado de Alagoas, conseguiu se impor com uma das referências do mundinho das passarelas.

Esse "momento" belga começou no início dos anos 1980, quando um grupo de colegas com nomes impronunciáveis, que ficou conhecido como os “Seis da Antuérpia” ganhou fama internacional. De uma hora para outra o mundo descobriu que aquele país minúsculo tinha, não apenas uma tradição têxtil e de design, mas também excelentes escolas de moda, como La Cambre ou a Academia Real de Belas Artes da Antuérpia, que formaram alguns dos principais talentos da atualidade. De Martin Margiela a Raf Simons, passando por Dries Van Noten e Diane von Fürstenberg, o evento apresenta peças de 70 estilistas, desde os pioneiros até a nova geração. O belo catálogo que acompanha o percurso completa a exposição, que fica em cartaz até 13 de setembro.

O que é luxo ?

O mundo da moda tem se inspirado muito nos últimos tempos dos códigos do luxo. Mas afinal, o que é luxo ? Essa vasta questão é abordada em uma interessante exposição que acontece até 27 de setembro no Victoria & Albert Museum, em Londres.

Didáticos, os comissários abordam o assunto não apenas como um mercado bilionário, mas também como um motor para o artesanato e a vitrine para técnicas de produção ameaçadas de extinção. Dividida em temas como "exclusividade", "precisão", "opulência" ou "autenticidade", a mostra "What’s luxury?" traz elementos históricos, mas se interessa principalmente pelos critérios do que pode ser considerado luxuoso nos dias de hoje. Será que o luxo na vida é ter tempo, gozar de liberdade em suas escolhas, ou simplesmente consumir produtos industrializados ? Para quem ainda acredita que tudo isso é apenas uma questão de dinheiro, o fato de que a entrada da exposição londrina seja gratuita é um talvez um bom indício da resposta.

 

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