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Brasileiro dança em produção francesa no Festival de Outono de Paris

Por Patricia Moribe

No palco, dois homens se entrelaçam no chão, com braços e pernas que se cruzam e descruzam. Para quem conhece o jiu-jitsu, logo reconhece os movimentos, aqui em uma versão mais poética. Para quem desconhece artes marciais, é uma cena de amor. O pas-de-deux moderno faz parte do espetáculo Removing, do jovem coreógrafo francês Noé Soulier, na programação do Festival de Outono de Paris, tradicional vitrine de produções contemporâneas na dança, música, teatro e artes plásticas.

O brasileiro José Paulo dos Santos, 27 anos, faz parte da dupla em cena. “Noel Soulier é muito conhecido por causa da sua coreografia de socos, de se jogar, de se transformar”. Ele conta que “Removing”, com seis dançarinos em cena, incluindo Soulier, é um trabalho muito físico, que exige condicionamento. E sem música. “A dança pode ser uma espécie de música através do corpo”, explica o dançarino.

José Paulo saiu de Araraquara, interior de São Paulo, direto para Bruxelas, há sete anos, para estudar em uma das escolas de dança contemporâneas mais conceituadas e disputadas do mundo, a P.A.R.T.S., fundada pela dançarina e coreógrafa belga Anne Teresa de Keersmaeker.

Movimento

A dança entrou no mundo de José Paulo pelo sapateado, mas pode ter sido antes, como ele brinca: “Meus pais se conheceram dançando”. Curioso, ele foi tentando vários estilos, do balé clássico à dança de rua. Até ganhar o interesse de um coreógrafo iraniano radicado na Holanda que veio ao Brasil ministrar uma oficina e lhe indicou a escola belga. Como não há pré-seleção no Brasil, José Paulo foi direto para a seleção final.

“Apesar de ser de família humilde e de ser negro”, diz José Paulo, ele contou com apoio da professora doutora Gilsamara Moura, da UFBA e de políticos locais para poder bancar a viagem. E assim chegou a Bruxelas, sem falar inglês nem francês, mas com muita vontade de dançar.

Depois de quatro anos de estudos, José Paulo dos Santos é um dançarino independente há três anos, que tem trabalhado em produções europeias como Rosas, de Anne Teresa de Keersmaeker, ou Materiais de Movimento, também de Noé Soulier, apresentada como parte da abertura do espaço Louis Vuitton, de Paris.
 

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