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Balé Cuba

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Versão cubana de “Lago dos Cisnes” traz gordinhos ao palco

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Grupo cubano Danza Voluminosa ensaiando no Teatro Nacional, em Havana. AFP PHOTO/ADALBERTO ROQUE

Eles fogem completamente dos padrões clássicos de dançarinos etéreos e anoréxicos do mundo clássico. Os integrantes do grupo cubano “Danza Voluminosa”, fundado em 1996, por Juan Miguel Mas, são obesos e conseguiram transformar um “problema” em proposta estética. Um dos maiores sucessos do repertório é uma versão adaptada de "Lago dos Cisnes".


Juan Miguel conta que sempre sonhou em ser dançarino. Até que se interessou, em 1989, por um curso oferecido pela famosa Companhia Nacional de Dança, da mítica bailarina clássica cubana Alicia Alonzo. Por causa da envergadura, ele teve que optar por um curso de observador. Mas, graças ao interesse de uma professora, ele foi posto à prova, ou seja, teve de dançar. E esse foi o momento de encantamento.

Por causa de sua experiência própria com a corpulência, decidiu desenvolver um balé clássico adaptado a obesos, mas seguindo os ensinamentos rígidos da escola tradicional. E assim nasceu o grupo “Danza Voluminosa” (“Dança volumosa”).

Bailarino pode ter até 120kg

“Tive a ideia de criar um espaço onde pessoas obesas pudessem praticar, desenvolver técnicas e criar coreografias adaptadas”, diz Mas. E, pelo menos duas vez por semana, as bailarinas se reúnem em seu pequeno apartamento, no bairro de Marianao, para ensaios bem intensos. Nada de limites de peso, o bailarino da “Danza Voluminosa” pode ter entre 100kg e 120kg, explica o fundador da companhia.

“As primeiras apresentações foram recebidas com um silêncio tumular”, conta o coreógrafo. "Muitos riam também". Os resultados são também de muito sucesso, inclusive internacional, e de críticas honrosas de jornais como The New York Times e Daily Mail.

“Sempre gostei de balé clássico, mas as pessoas obesas são estigmatizadas pela sociedade”, lamenta Maylin Daza, dona de casa, 36 anos, integrante do grupo.

Mais de 44% dos cubanos são obesos

Uma pesquisa nacional revela que 44,3% dos 11 milhões de cubanos estão acima do peso, segundo dados de 2012. Porém os índices não desanimam o coreógrafo, pelo contrário. “O nossos objetivo não é fazer as pessoas emagrecerem, mas a se sentirem bailarinos”, explica Mas.