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Cannes 2016 Festival de Cannes Brasil

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Equipe do filme "Aquarius" protesta em Cannes contra "golpe" no Brasil

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Equipe do filme Aquarius faz protesto contra impeachment no tapete vermelho de Cannes, nesta terça-feira 17 de maio de 2016. REUTERS/Jean-Paul Pelissier

A equipe do filme brasileiro "Aquarius" protestou nesta terça-feira (17) contra o "golpe de Estado no Brasil", durante a exibição do filme em Cannes. O longa concorre à Palma de Ouro.


Leticia Constant, enviada especial da RFI  a Cannes

"Um golpe ocorreu no Brasil", "Resistiremos" e "Brasil não é mais uma democracia" eram alguns dos cartazes que o cineasta Kleber Mendonça Filho e diversos atores do filme seguravam no tapete vermelho, antes de voltar a se manifestar ao grito "Fora!" na sala do Grande Teatro Lumiere, minutos antes da projeção. Os cartazes estavam escritos em inglês e francês.

O festival tornou-se uma plataforma política para os diretores de cinema do Brasil. Ontem, Eryk Rocha já tinha alertado para uma interrupção democrática antes da projeção do seu documentário Cinema Novo.

A manifestação da equipe de "Aquarius" surpreendeu o público que aguardava na frente da escadaria. Muitas pessoas passaram a perguntar o que está acontecendo no Brasil.

Depois da projeção do filme, ainda muito emocionados depois do ato pela democracia, os atores se abraçaram, muitos com lágrimas nos olhos.

Sonia Braga, no auge da carreira em Aquarius

O  filme foi projetado duas vezes para a imprensa internacional, tendo havido unanimidade sobre a performance de Sonia Braga, que interpreta magistralmente o papel de Clara, viúva de 60 anos que decide encarar um gigante da especulação imobiliária sem moral e sem limites.

Sonia domina o filme do começo ao fim e já pode ser considerada uma forte candidata à Palma de Ouro de melhor intérprete, como alguns críticos estavam comentando na saída da sala.

Kleber, o novo rosto de Cannes

Mesmo antes de ser visto, "Aquarius" já vinha chamando a atenção no festival, com muita curiosidade por parte dos jornalistas franceses e estrangeiros. Há um olhar realmente interessado nesse "diretor de primeira viagem". 

O pernambucano Kleber Mendonça Filho mal dá conta dos pedidos de entrevista e confessa ter ficado perturbado, inicialmente: "Eu estava em negação, mas aos poucos estou encarando o fato de que a exibição do filme é um momento muito bom para mim, para a minha equipe, estou com quase 30 amigos e colaboradores do filme aqui em Cannes, acho que vai ser uma experiência bem forte", diz o cineasta.