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Animação "Tartaruga Vermelha", premiada em Cannes, faz sucesso na França

Por Patricia Moribe

“La Tortue Rouge” (“A Tartaruga Vermelha”, em tradução livre) é o primeiro longa de animação do holandês Michael Dudok de Wit. O filme, premiado em Cannes, foi produzido pelo mítico estúdio japonês Ghibli, de Hayao Miyazaki.

O longa foi a única animação da mostra "Um Certo Olhar", em Cannes, neste ano. Saiu com o prêmio da crítica. Até então Dudok de Wit era um consagrado animador de curtas. O mais conhecido, o poético “Pai e Filha” (2000), recebeu Oscar, Bafta e venceu festivais importantes, como o de Annecy, na França e o Animamundi, de São Paulo.

Um belo dia, o artista holandês recebeu um convite do estúdio japonês Ghibli, fundado pelos veteranos Hayao Miyazaki e Isao Takahata. “Se você estiver pensando em fazer um longa, gostaríamos de ajudar, de fazer a produção”, o estúdio escreveu a Dudok de Wit. E assim nasceu a primeira produção estrangeira do estúdio responsável por sucesso como “Princesa Mononoke”, “A Viagem de Chihiro”, “O Castelo Animado” e "Meu Vizinho Totoro".

A história de “A Tartaruga Vermelha“ começa com uma tempestade em alto mar, uma ilha e um náufrago. Desesperado, o homem tenta lutar contra a natureza. Em vão. Até que, aos poucos, ele se dá conta que é possível viver em harmonia com ela.

Tintim, de Hergé, é uma das influências de Dudok de Wit

O personagem tem traços realistas, Dudok de Wit sempre lembra que cresceu com os desenhos de Tintim, do belga Hergé. As cores e os traços são de uma simplicidade enganadora. Tudo foi milimetricamente esboçado e roteirizado. A luz domina e comanda as cores, as sombras e transparências das aquarelas e do lápis de carvão. A música e efeitos sonoros são partes fundamentais do enredo. Mas não há vozes, os personagens emitem apenas gritos e suspiros.

Em entrevista exclusiva à RFI, Michael Dudok de Wit explica:

Não há diálogos no filme. Tinha, no começo, quando escrevi a história. Eu achava essencial ter pelo menos alguns momentos de vozes, pelo lado humano e para explicar algumas coisas, para ter a certeza de que o espectador ia entender. Mas foi um processo complicado, em um dado momento achei que isso não estava funcionando. Recorri então à co-roteirista Pascale Ferran para me ajudar. E ela disse, temos que trabalhar nos diálogos. E trabalhamos, aumentamos o volume dos diálogos, depois fomos reduzindo. Até a última frase que ficou e que queríamos manter, acabamos tirando. O estúdio também dava conselhos, opiniões. Eles achavam que o filme não precisava de diálogos. Eles disseram: “a voz fala demais, conta demais, não precisamos disso”. E de repente surgiu o desafio de se fazer um filme sem diálogos, mas muito claro ao mesmo tempo.

Mas o filme de Dudok de Wit também se destaca pela presença onipresente da natureza, como ele conta:

No começo temos uma pessoa em oposição à natureza, ele tem medo da natureza, que o oprime. Mas pouco a pouco a história se inverte, e vemos o homem à vontade na natureza. No fundo, ele nunca se separou da natureza, a natureza é ele, é a casa, é o "home" em inglês. Quando estamos na natureza, estamos onde pertencemos.

A animação obteve excelentes críticas da imprensa francesa. “A Tartaruga Vermelha” ainda não tem data de estreia no Brasil.

Assista ao trailer de "A Tartaruga Vermelha":

 

 

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