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Rio de Janeiro Brasil Fotojornalismo Festival VISA pour l'image Zika

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Brasil é tema de duas mostras no festival de fotojornalismo Visa pour l'Image

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Foto de Peter Bauzade de criança sem-teto no complexo Jambalaya, no Rio Reprodução

Duas mostras do festival internacional de fotojornalismo Visa pour l'Image (Visa para a Imagem), que começa neste sábado (27) em Perpignan (sul da França), têm o Brasil como tema.


Na primeira, o alemão Peter Bauza, da agência Echo Photo, focou suas lentes nos prédios inacabados do complexo Jambalaya, no Rio de Janeiro. Ele passou sete meses no local para registrar o cotidiano das 300 famílias sem-teto que vivem lá em condições insalubres.

Já o carioca Felipe Dana, da agência Associated Press, viajou ao nordeste brasileiro para fotografar as primeiras famílias atingidas pela zika.

Porém o grande destaque do festival é a crise migratória. "A temática mais visível são os migrantes, com três exposições", explica Jean-François Leroy, diretor e cofundador do festival.

Entre elas está a do fotógrafo Aris Messinis, da agência France Presse em Atenas, sobre o fluxo de refugiados para a ilha grega de Lesbos, batizada de "Cenas de Guerra em Zona de Paz".

Chegada maciça de sírios

Outra mostra, do grego Yannis Behrakis, da agência Reuters, exibe cliques da chegada maciça de sírios, afegãos e iraquianos à Grécia fugindo dos horrores da guerra.

Já a francesa Marie Dorigny acompanhou o percursos das mulheres migrantes. Com seus filhos, elas representam mais da metade dos passageiros espremidos em botes de borracha nos mares Mediterrâneo e Egeu, para tentar alcançar a Europa.

Desde a guerra do Kosovo, a Visa pour l'Image não recebia tantas propostas de exposições sobre o tema. Em setembro de 2015, durante a edição anterior do festival, a foto do cadáver do pequeno Aylan Kurdi em uma praia turca girou o mundo e emocionou as pessoas.

Há poucos dias, a imagem do menino sírio Omran, de 4 anos, ferido e coberto de sangue, também comoveu o planeta.

"Mas, depois, nada acontece. Nós falamos 'nunca mais', mas continuamos deixando que se afoguem", opina o diretor do festival. "Uma foto nunca parou uma guerra nem influenciou os responsáveis. E eu lamento."

"Crianças de Chernobyl"

Quanto aos atentados terroristas na Europa, eles serão tema de projeções à noite. "Adotamos um princípio: um atentado em Nice, Paris ou Bruxelas tem a mesma importância que um atentado em Cabul ou Alepo", afirma Leroy. "Colocamos todos os atentados no mesmo patamar, é minha responsabilidade como diretor de um festival internacional."

Já o fotógrafo Niels Ackermann, da agência Lundi13, encontrou e clicou as "crianças de Chernobyl", que já são adultos. Assuntos que não estão nas primeiras páginas dos jornais também têm espaço no Visa pour l'Image, como a situação dificílima dos homossexuais e transgêneros na África, como na mostra "Ekifilre e os Semi-mortos".