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Cultura
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Grand Palais de Paris propõe mergulho na arte moderna do México

Por Patricia Moribe

A arte moderna mexicana não se resume a Frida Kahlo, Diego Rivera e José Clemente Orozco. É o que pretende provar a exposição “México 1900-1950”, em cartaz até final de fevereiro no Grand Palais, de Paris. Através de cerca de 200 obras, a mostra convida o público a descobrir como surgiu um dos períodos mais criativos da arte contemporânea, a do México em busca de sua identidade, bastante marcada pela Revolução de 1910.

São pinturas, esculturas e fotografias de nomes mais conhecidos e emblemáticos, ao lado de trabalhos de artistas menos famosos, mas igualmente importantes. A mostra dá exemplos de trabalhos do século 19, bastante influenciados pelo clássico europeu.

Mas a ida de artistas, como Rivera, para a Paris do começo do século 20, traz uma reviravolta nos traços, influenciados pelas vanguardas e pelo cubismo. Há também a volta às raízes indígenas e a valorização da cultura popular, através das pinceladas de Alberto Garduno ou Saturnino Herran, entre outros.

Forte presença feminina na arte mexicana

A arte mexicana desse período também teve forte presença feminina, como explica Augustin Arteaga, curador da mostra em Paris. “Frida Kahlo, sem dúvida, se tornou um ícone através das múltiplas associações que se pode fazer, principalmente através de um ponto de vista feminista. Mas além dela, houve muitas outras artistas, ou mulheres, que estava trabalhando, se esforçando nessa mesma direção.”

No Grand Palais, os quadros autobiográficos de Frida Kahlo ganham o mesmo destaque que outros nomes femininos menos conhecidos, mas igualmente combatentes, como Tina Modotti, Lola Alvarez Bravo e Nahui Olin.

“A exposição foi montada com o objetivo que as pessoas descubram outros artistas além dos mais conhecidos, que são a ponta de um iceberg, que esconde um conjunto enorme de artistas e de possibilidades criativas”, diz Arteaga.

Muralismo como instrumento de propagação de mensagens

Um dos fortes dessa fase da arte mexicana é o muralismo social, do qual Diego Rivera foi um dos fundadores e principais expoentes. “O muralismo é a maneira com que o governo apoia os artistas para difundir uma ideologia e transmitir uma mensagem. É uma celebração dos esforços e da tragédia vividos durante uma guerra civil. A ideia é de populações analfabetas, possam ler, através das imagens dos afrescos, as mensagens a serem difundidas”, comenta Arteaga.

Ilustre e engajado politicamente, Diego Rivera incluiu um retrato de Lênin em um mural encomendado para o Rockefeller Center, em Nova York, em 1933. A ousadia causou muita polêmica e a obra foi destruída. Um assistente de Rivera conseguiu tirar algumas fotos antes, o que permitiu que o mural fosse recriado.

A parte final da exposição traz também o México da primeira metade do século 20 através da fotografia, música e cinema. Uma instalação mostra cenas de filmes fotografados por Gabriel Figueroa, que se firmou como um dos grandes nomes da época de ouro do cinema mexicano. Fora do México, ele foi o responsável pelas imagens de filmes como "Os Esquecidos", de Luis Buñuel, e "Noite do Iguana", de John Huston.

Nos anos 30, o México também atraiu artistas estrangeiros como o cineasta russo Serguei Eisenstein, que um projeto que só foi montado quase 50 anos depois e se tornou “Que Viva México”.
 

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