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Oscar: brasileiro da Disney assina curta divertido sobre sua origem japonesa

Os filmes de animação da Disney, quando apresentados no cinema, sempre trazem antes um curta-metragem. Quem for aos cinemas assistir à superprodução "Moana: Um Mar de Aventuras", que estreou no Brasil na quinta-feira (5), verá nas telas o curta "Trabalho Interno", dirigido pelo cineasta brasileiro Leo Matsuda. Essa é a primeira vez que um brasileiro dirige um filme da Disney.

Cleide Klock, correspondente da RFI em Los Angeles

Como buscar um equilibrio entre a racionalidade e a emoção? Entre os impulsos motivados pelo coração e os freios que o cérebro tenta nos impor? Com humor, o novo curta-metragem "Trabalho Interno" tenta traduzir esse duelo e na forma de animação.

Apesar de ter sido criado e produzido pela maior fábrica de sonhos da indústria cinematográfica, a Disney, o senso de humor é bem brasileiro. Quem escreveu essa história e dirigiu o curta foi o paulista Leonardo Matsuda, que trabalha há oito anos na empresa. No enredo, ele segue os passos de Paul, um burocrata que tem uma rotina maçante e tenta a todo momento agir pela lógica de cumprir as tarefas e não pela vontade - que o quer levar à praia, por exemplo.

"Eu sou descendente de japonês, então tenho um lado japonês que é bem lógico e disciplinado. Mas eu também tenho meu lado brasileiro, que gosta de carnaval, de festa. Então eu fico dividido entre esses dois extremos. Esse curta conta muito da minha história de descendente japonês vivendo no Brasil, esse conflito, que é uma das memórias boas que carrego comigo", explicou o cineasta paulista.

Matsuda, que tem 35 anos, cresceu na década de 80. Das enciclopédias, que eram seus melhores passatempos, veio a outra parte da inspiração. O grafismo que explicava a morfologia humana permanece até hoje na memória. Nesta trama, os órgãos internos do personagem principal ganham vida. Vemos como, dentro de Paul, o cérebro, o coração e o intestino reagem a cada atitude, a cada frustração, a cada impulso.

"Acho que é importante a gente sempre escutar nossa própria voz, o que é que a gente quer contar. Às vezes, a gente fica com receio ou com vergonha de contar uma coisa íntima sua, mas essas são as melhores coisas que a gente possui, a maior riqueza. Então temos que encontrar uma forma de contar isso", disse.

Curta foi escolhido entre 73 projetos

Para fazer sua estreia na direção, o brasileiro participou de uma concorrência dentro da própria Disney. Eram 73 projetos. Fase por fase, foi vencendo e conseguiu chegar às telas. Matsuda, há 13 anos nos Estados Unidos, já havia trabalhado em animações como "Zootopia", "Operação Big Hero", "Detona Ralph" e "Os Simpsons", e já estagiou também na Pixar. O curta-metragem abre as sessões da superprodução "Moana", uma das mais aguardadas da Disney.

"Trabalho Interno" é um dos dez filmes pré-selecionados para concorrer ao Oscar na categoria de melhor curta-metragem de animação. Dessa lista, cinco serão indicados pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas no próximo dia 24 de janeiro. A noite de premiação neste ano é em 26 de fevereiro.

"Seria fenomenal, a gente está torcendo, mas vamos ver, tem vários filmes excelentes. Seria uma honra para nós", comentou brasileiro. "O Brasil é um país de miscigenação, não existe ninguém que é brasileiro, pois acho que todo mundo é uma mistura de raças. Acho que todo mundo vai se identificar com esse curta. Porque ele fala muito disso, todo mundo no Brasil tem essa dualidade. Espero que o pessoal curta", completou Matsuda.

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