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Longa mineiro disputa prêmio principal em festival holandês

Por Patricia Moribe

“Arábia” é um dos oito longas que disputam o prêmio principal do Festival Internacional de Cinema de Roterdã, na Holanda. O filme é dirigido pelos mineiros Affonso Uchoa e João Dumans. O resultado será anunciado dia 4 de fevereiro.

 

Eles já trabalharam juntos no elogiado “A vizinhança do Tigre”, que conta a história de três amigos em Contagem, zona industrial mineira, em tom quase documental. João Dumans também é roteirista de “Cidade onde envelheço”, de Marilia Rocha, melhor filme do último festival de Brasília e no festival de Biarritz, na França.

A história gira em torno da descoberta por parte de um rapaz, morador de um bairro proletário de Ouro Preto, de um caderno de anotações de um operário. “O filme é o relato desse caderno, dos últimos dez anos da vida desse trabalhador, saindo de Contagem, fazendo uma ronda de trabalhos, viagens, amizades e amores pelas estradas do Brasil, até chegar a Ouro Preto”, conta Affonso Uchoa.

“O Arábia é isso, é um apinhado de experiências, de acontecimentos e vivências de um operário, de um brasileiro, uma dessas pessoas que passam pela vida sem deixar marcas – mas no caso, o nosso personagem deixa um registro”, continua Uchoa.

“Arábia”, de Joyce, inspira projeto

O título se refere a um conto, “Arábia”, do livro Dublinenses, de James Joyce, que tem como fio condutor um menino de um bairro proletário e sua fascinação diante de uma quermesse chamada Arábia. “O projeto teve um processo de criação longo e a história foi mudando, mas acabou ficando um certo espírito da história, o contexto de um bairro proletário atravessado por uma certa solidão, deixando a possibilidade de novas aberturas”, diz João Dumans.

Os cenários foram escolhidos em função dos diretores: Dumans é de Ouro Preto e Uchoa, apesar de paulista, vive há anos em Contagem. “Por trás da fachada turística, da cidade aprisionada por essa força, descobri uma outra Ouro Preto”, diz Uchoa. “E foi muito impactante conhecer a vila operária, distante do centro histórico, esse microcosmo que mostrava tão nitidamente a sujeição, a submissão da pessoa ao trabalho”, acrescenta.

“Arábia” é um dos oito filmes que concorrem ao prêmio Tigre do festival holandês, ao lado de produções de Israel, EUA, Espanha, Bulgária, Índia, Bélgica e Holanda.

 

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