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Romance de estreia de brasileira sobre machismo é lançado na França

Por Adriana Brandão

"A vida invisível de Eurídice Gusmão", o romance de estreia da carioca Martha Batalha, acaba de chegar às livrarias francesas com o título "Les mille talents d'Eurídice Gusmão". A França é o 12° país a publicar a obra da brasileira.

O livro conta a história de Eurídice, de sua irmã Guida e de outras personagens em uma época e local que não ofereciam muitas oportunidades às mulheres, isto é, o Rio de Janeiro de meados do século 20. O romance aborda, em um estilo que combina drama e humor, temas como o machismo, a cultura do abuso e sonhos frustrados. Fato raro para um romance de estreia, o livro foi coroado internacionalmente antes de chegar às livrarias brasileiras, em abril do ano passado, pela Companhia das Letras. Os direitos autorais da obra foram vendidos para várias editoras estrangeiras, principalmente na Feira de Frankfurt, em 2015.

Dana Burlac, da francesa Denoël, foi uma dessas editoras. Ela morou durante cinco anos no Paraná e pôde ler o manuscrito do romance em português. A editora buscava um título e um autor para introduzir a literatura brasileira no catálogo da Denoël e ficou seduzida por "Eurídice". "O romance tem tudo que eu gosto: alegria, tristeza, humor e uma história incrível. É tudo que eu gosto de ler e tudo o que eu queria para a Denoël", disse em entrevista à RFI. "Les mille talents d'Eurídice Gusmão", está tendo uma boa recepção de crítica e dos livreiros na França. No entanto, "as vendas não estão muito boas porque o contexto atual de eleição presidencial é um pouco difícil", explica Dana Burlac.

Martha Batalha quase abandonou a escrita

Martha Batalha, que nasceu em Recife em 1973, cresceu no Rio e é radicada nos Estados Unidos, lembra que o surpreendente sucesso internacional a impediu de abandonar a escrita: "Estava quase desistindo. Minha agente, Luciana Villas-Boas, estava tentando publicar meu livro no Brasil, mas o país estava passando por uma imensa crise. Ninguém no mercado editorial brasileiro estava comprando novos autores. Uma editora alemã leu o livro em português, se apaixonou e, depois disso, outras editoras compraram. E de uma hora para outra, um livro que ninguém queria comprar, várias editoras compraram."

A escritora brasileira escolheu o tema da invisibilidade das mulheres porque "essa é uma história que eu conheço. Cresci com essa noção de que os homens podem mais. Isso é uma injustiça imensa e aceita". Martha Batalha diz que optou por um estilo com muita ironia e humor fino "para mostrar que o machismo é rídiculo".

O sucesso de "A vida invisível de Eurídice Gusmão" continua. O romance vai ser publicado em livro de bolso na França, daqui a um ano, e a segunda obra de Martha Batalha, "Areia Branca", também será lançada em francês, pela editora Denoël, em 2018. Além disso, a história das irmãs Gusmão e das donas de casa cariocas dos anos 1950 está sendo adaptado para o cinema pelo produtor Rodrigo Teixeira e pelo diretor Karim Aïnouz.

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