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Brasil e o Festival de Cannes : uma longa história de amor

Por Silvano Mendes

Mesmo se nesta 70ª edição do Festival de Cannes o Brasil compete apenas em mostras paralelas, a história do país com o maior evento de cinema do mundo é antiga. As produções brasileiras estão presentes praticamente desde o início do festival, que se tornou uma passagem quase obrigatória para os profissionais do setor.

O Festival de Cannes sempre foi uma vitrine para o cinema brasileiro. Desde 1949, apenas três anos após a criação do evento da Riviera Francesa, o Brasil já estava presente com o filme “Sertão”, de João G. Martin. Mas o país teve que esperar um pouco antes de levar para casa uma Palma de Ouro, prêmio máximo do evento.

Em 1959, “Orfeu Negro”, uma coprodução ítalo-franco-brasileira, conquistou o prêmio. Mas o primeiro troféu 100% brasileiro foi para “O Pagador de Promessas”, de Anselmo Duarte, em 1962.

Desde então, o cinema do Brasil foi indicado mais de 30 vezes, como em 2008, com “Linha de Passe”, de Walter Salles, ou em 2016 com “Aquarius”, de Kleber Mendonça Filho.

Já do lado das atrizes, Fernanda Torres levou o prêmio em 1986 por sua interpretação em “Eu sei que vou te amar”, Sandra Corveloni venceu com “Linha de Passe”, em 2008, e Sonia Braga foi indicada em 2016 com “Aquarius”.

Glauber Rocha e seu filho Eryk foram premiados

Glauber Rocha levou o prêmio de melhor diretor, em 1969, com o filme “O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro”. Quase quatro décadas mais tarde, em 2016, seu filho Eryk Rocha levou o Olho de Ouro, prêmio de melhor documentário, com “Cinema Novo”.

“Não sei se a passagem por Cannes pode mudar a carreira de um cineasta, mas de um filme é possível. Eu participei no ano passado, e isso impulsionou a trajetória do projeto. Desde então, o documentário rodou o mundo todo, sendo lançado em vários países, e continua rodando”, conta Eryk.

Para ele, “historicamente, esse festival sempre foi a casa do cinema mundial, do cinema de autor, da revelação de cineastas. Grandes filmes nasceram nas telas de Cannes”.

Mercado do filme é vitrine indispensável

O Brasil também é bastante presente em mostras paralelas, como este ano com o longa “Gabriel e a Montanha”, de Fellipe Barbosa, na Semana da Crítica, e o curta “Nada”, de Gabriel Martins, na Quinzena dos Realizadores. Sem esquecer o Mercado Internacional de filme, onde produtores vêm apresentar seus projetos.

O evento é quase uma passagem obrigatória para as produtoras, como ressalta Luana Melgaço, da Anavilhana, que está em Cannes nesta 70ª edição. “Organizamos muito nosso cronograma a partir deste festival. Quando temos um filme quase pronto, por exemplo, tentamos mostrar aqui ou vendê-lo no Mercado do Filme, que é o lugar que nós, produtores, temos para fazer negócios”, comenta.

Além disso, o festival é o momento de medir a temperatura da produção mundial, como lembra a produtora e diretora de fotografia Heloisa Passos, da Máquina Filmes, que está em Cannes pela terceira vez. “Para mim, foi muito importante conhecer esse festival e ver produções que às vezes não chegam ao Brasil. Você também conhece pessoas que não conheceria em outros locais. Cannes é um lugar de encontros”, enfatiza.

Produtores brasileiros tem estande conjunto no festival

Um grande estande montado pelo programa Cinema do Brasil representa os filmes nacionais no Mercado. Este ano, o projeto trouxe para a Riviera Francesa 40 produtores, que aproveitam o evento para procurar distribuidores ou apoios.

Para Leila Bourdoukan, gerente executiva do programa Cinema do Brasil, a principal vantagem do país é que sua produção é muito variada, longe dos clichês. “O cinema brasileiro é muito diverso. Porém, os filmes que mais viajam são os do cinema de arte, político, social. Essa é uma qualidade da cinematografia brasileira. Você não vai achar apenas um tipo de filme ou de produtor. Essa diversidade é um bom reflexo do que é o país”, conclui.

Acompanhe a cobertura do Festival de Cinema de Cannes no site da RFI.
 

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