rfi

Ouvindo
  • RFI Brasil
  • Último jornal
  • RFI em francês
RFI CONVIDA
rss itunes

Artista brasileira cria livros com crianças indígenas e quilombolas na Amazônia

Por Elcio Ramalho

A artista visual, educadora e mediadora cultural Marie Ange Bordas é autora do projeto "Tecendo Saberes", que busca valorizar e divulgar as culturas tradicionais brasileiras por meio do olhar das crianças.

Em 2014, ela conviveu com crianças de comunidades quilombolas do Baixo Amazonas (Pará) e do povo indígena Huni Kui do Rio Humaitá (Acre), o que resultou, respectivamente, nos livros “Manual das Crianças do Baixo Amazonas" e "Manual das Crianças Huni Ku".

A artista deu uma palestra no último sábado (10), em Paris, sobre seu trabalho. O evento fez parte da Semana da América Latina e Caribe e foi organizado pelo Centro Cultural do Brasil no Espaço Krajcberg.

“A metodologia do projeto é muito orgânica. A base é a convivência, estar juntos. Não é pular de paraquedas, chegar e depois sair correndo. É de fato ficar”, explica Marie Ange. “Em cada comunidade se fica um certo tempo. No Baixo Amazonas, região do Pará entre os rios Amazonas e Trombetas, trabalho desde 2012. Comecei com outros projetos, prêmios que ganhei do Ministério da Cultura.”

Segundo ela, o objetivo “é falar dessas culturas a partir da identidade cultural que as crianças vivem no dia a dia”. “Identifiquei muito a cultura e o pertencimento à comunidade através da relação delas com a natureza e com o próprio meio. O saber sobre as plantas, os animais, de criar brinquedo. No lugar de viajar, fotografar, voltar e falar, a ideia foi criar esse conteúdo com as crianças.”

Temas sociais

No Baixo Amazonas, ela realizou vários encontros com os professores das comunidades quilombolas, que pediram para que ela pensasse em materiais para as escolas. “Eles me disseram que a sua cultura não estava representada no material didático, que estavam trabalhando no meio da Amazônia com material que vinha de fora”, conta Marie Ange.

Ela ressalta que a situação tem mudado nos últimos anos, “com grandes incentivos a projetos locais”, mas que “ainda há esse déficit”.

Marie Ange iniciou o projeto depois de muitos anos vivendo fora do Brasil. “Eu trabalhei com temas sociais, principalmente na África, com o interesse em envolver as pessoas na criação de projetos comuns. Comecei trabalhando com refugiados durante muito tempo, mas a ideia não era viajar como jornalista e falar dessas realidades. Era oferecer as ferramentas que eu tinha para que essas comunidades falassem delas mesmas.”

Ao voltar ao Brasil, devido à experiência no continente africano, ela foi “envolvida pela questão dos movimentos quilombolas”. “Criei uma rede de contato em comunidades tradicionais brasileiras.” Ela continua a desenvolver o "Tecendo Saberes".

 

Apesar de guerra, Brasil participa de Feira de Damasco, relata diplomata Bruno Razente

"Europa precisa abandonar discurso islamofóbico para conter atentados", diz analista

"Brasil precisa ser repensado em termos de meio ambiente", diz ambientalista

Igor Fuser: “Brasil e vizinhos latinos jogaram lenha na fogueira da crise na Venezuela”

"Prêmio em Locarno me dá ânimo para continuar":Sara Silveira, produtora

Entender o nazismo é importante para a juventude, diz autora e tradutora de livro sobre Hitler

Prevenção pode resolver consumo do "purple drank" na França, diz especialista

“Cultura brasileira seria mais pobre sem Rouanet”, diz ministro Sérgio Sá Leitão

Em 20 anos, nunca vi uma crise tão longa no mercado de arte brasileiro, diz galerista Maria Baró

"População trans ainda é muito estigmatizada", diz Inês Dourado, especialista em HIV

"Flip está ficando intimista de novo": Olivier de Corta, francês que vive em Paraty

Luiz Loures, da Unaids: “Jovens pensam que epidemia da Aids é coisa do passado”