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Artista francesa radicada em SP vende tela aos pedaços

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Isabelle Ribot durante exposição “Phenomènes” (Fenômenos), na galeria Lde0&Co, em Paris. RFI/Patrícia Moribe

Isabelle Ribot, que mora no Brasil há 17 anos, apresenta em Paris seu trabalho mais recente, “Phenomènes” (Fenômenos), na galeria Lde0&Co. A vernissage aconteceu nesta quinta-feira (15).


O conceito é interessante. Da tela exposta, de 8mx1,6m, a pessoa que se interessar por comprar pode escolher o pedaço que quiser, a partir de três formatos padrões, que também não precisam ser seguidos à risca. Os preços dos retalhos podem ir de € 400 a € 2.200.

“A pessoa vai escolher o seu próprio quadro, a partir da minha obra, ou seja, é praticamente um trabalho interativo”, explica a artista. E, antes mesmo de o vernissage começar, um naco da tela já tinha sido vendido, deixando no lugar uma foto representando o trecho subtraído.

Inspiração em ciências e descobertas

“Fenômenos” é a 19ª edição da série de telas para corte de Ribot. A inspiração veio da influência de uma das filhas, que estuda astrofísica na USP. É uma homenagem a grandes cientistas e pesquisadores, como Aristarco, Ibn Haytham, Galileu, Hedy Lamarr, Ada Lovelace e Einstein.

Entre as mulheres, Isabelle faz referências a duas figuras extraordinárias. A primeira é Hedy Lamarr, atriz americana de origem austríaca, que causou furor em um filme de 1933, “Êxtase”, em que aparece nua, ousadia ainda inédita do cinema que ainda engatinhava. Em Hollywood, nas horas vagas, a autodidata Lamarr gostava de inventar e acabou sendo coautora de um sistema de comunicação para as forças americanas na Segunda Guerra Mundial, que deu origem à telefonia celular.

Já Ada Lovelace, filha do poeta Lorde Byron, era matemática e também escrevia. Mas hoje é reconhecida por ter escrito o primeiro algoritmo para ser processado por uma máquina. “Uma mulher do século 19!”, exclama Isabelle Ribot.

Morando no coração de São Paulo

A artista francesa, nascida na Normandia em 1961, descobriu o Brasil em 1985, mas entre idas e vindas para a França e uma temporada em Portugal, acabou se instalando definitivamente em São Paulo há 17 anos. E não em qualquer lugar, mas em pleno centro velho, na outrora imponente avenida São Luís.

“Não entendo quando se fala em revitalizar o centro, ele já é muito dinâmico”, diz a artista, sem esconder a paixão que tem pela cidade. Outro projeto de tela de corte foi justamente a avenida. “Distribui 600 questionários aos passantes da região para saber qual era a relação deles com aquela parte da cidade – tive 108 respostas e transformei de forma pictórica esses depoimentos”, conta.

E misturando acrílico, nanquim, óleo, pastel, ela criou uma tela de 20m de comprimento que cobriu três paredes da galeria de Luis Maluf. Alguns recortes que restam estão à venda em Paris também.

Árvores e fontes

Isabelle Ribot fala com entusiasmo sobre o próximo projeto: “Adoro mapeamentos e quero fazer um sobre as árvores mais antigas e fontes de São Paulo”.

A galeria Lde0&Co, que expõe principalmente móveis de arquitetos consagrados brasileiros, expõe “Toile à Découper” (Tela para Cortar), de Isabelle Ribot, até o dia 15 de setembro – com uma pausa para fechamento em agosto, mês tradicional para as férias de verão na Europa.

Galeria LdeO&C - 17 rue Saint Paul - 75004 Paris.