rfi

Ouvindo
  • RFI Brasil
  • Último jornal
  • RFI em francês
Cultura
rss itunes

Templo da literatura lusófona em Paris, editora Chandaigne celebra 25 anos

Por Leticia Constant

A editora Chandeigne, especializada na divulgação dos grandes escritores da África lusófona, Brasil e Portugal, está completando 25 anos. Dirigida por Anna Lima e Michel Chandaigne, a bela aventura sempre foi marcada pela liberdade.

No Quartier Latin, na pequena rue Tournefort, fica a editora Chandeigne, totalmente dedicada aos livros em língua portuguesa. Ali pertinho, nas vizinhanças do Panthéon, em frente a uma pitoresca pracinha com bancos e árvores, fica a famosa Livraria Portuguesa e Brasileira. Nesses poucos metros, então, se concentra o templo único da literatura lusófona em Paris.  

Fundada em 1986 pelo editor, livreiro, tradutor e conferencista francês Michel Chandaigne, especialista em países lusófonos e nos grandes descobrimentos históricos, a livraria foi um prólogo para a criação da editora Chandaigne em 1992, quando Michel se associou a Anna Lima, que passou a dirigí-la.

Neste 25° aniversário da editora, que publica em francês os autores lusófonos, Michel lembra como tudo começou. "A ideia veio naturalmente, numa altura em que havia poucos livros sobre a cultura lusófona. Encontrei a Anna Lima e depois..."  A portuguesa Anna Lima continua a frase, lembrando que a ideia da criação da editora partiu da constatação de que havia um fundo de textos de literatura e de história portuguesa que são grandes clássicos, que eram conhecidos em Portugal mas que não eram conhecidos na França e que fazem parte da história europeia como, por exemplo, a carta de Pero Vaz Caminha, Álvaro Velho, do navegador italiano Luiz de Cadamosto. A ideia foi, então, criar uma coleção que integrasse esse fundo. Cultura, civilização e livros vindos de Portugal, Brasil, África lusófona, não havia uma produção enorme...", ela observa.

Os primeiros livros brasileiros

Foi a História do Brasil, de Frédéric Moreau, o primeiro livro brasileiro que a editora Chandeigne publicou. "Fizemos também um livro com os primeiros textos sobre o descobrimento do Brasil. Na literatura, a primeira tradução foi uma coletânea de poesias que tinha Carlos Drummond de Andrade e Renata Pallottini, esgotada há muito tempo", relembra Anna.

O sucesso da empreitada se explica pela demanda pela literatura lusófona em Paris, que é muito grande. " Há muito interesse, é claro, pelo Mia Couto, somos um pouco responsáveis pois editamos mais de dez livros dele, que é o autor lusófono mais em destaque na França. Do lado brasileiro, continua sendo Jorge Amado e Machado de Assis e, nos modernos, Guimarães Rosa, Clarice Lispector, que continua tendo um público muito fiel e renovado, Milton Hatoum e Luiz Ruffato. Do lado português, José Saramago, Eça de Queiroz e Fernando Pessoa, é claro", diz Michel.

Escritores e Chandaigne, uma relação amorosa

O autor brasileiro Luiz Ruffato, editado na França pela Chandeige, fala sobre a importância da editora: "A questão mais interessante é ter "esse luxo", essa editora e livraria em Paris que se dedicam basicamente  à divulgação da nossa literatura. Mais ainda se você pensar que Portugal ainda tem um trabalho institucional de divulgação, mas no Brasil não temos, o Estado brasileiro não dá a menor importância para a divulgação da cultura, portanto, ao mesmo tempo que é um trabalho heróico divulgar uma língua e uma cultura que não é majoritária e não tem importância econômica no mundo, a qualidade dos títulos e dos livros da editora é impressionante", elogia Ruffato.

O mesmo olhar "amoroso" vem do escritor português Rui Zinc: "O próprio nome 'Chandeigne" significa para os poetas portugueses, o que eu não sou, a sua voz na França. A editora foi, durante muito tempo, a voz que nos deu voz na França. E como dizemos em Portugal, "amor com amor se paga", por isto, muitos escritores portugueses, gostam, adoram a Chandeigne", exalta o autor.

E depois de 25 anos de aventuras literárias, os dois parceiros se sentem felizes por terem levado esse percurso com calma e sinergia, crescendo, mas não de forma desmedida. "Continuamos a trabalhar como gostamos, fazendo o livro que queremos, sem compromissos", observa Anna. "Nunca tivemos dívidas, algumas dúvidas, sim [risos], mas não ter dívidas é uma maneira de ficar livre e poder continuar em alto mar", diz Michel, com uma expressão de tranquilidade.

Mostra sobre casamentos forçados abre centro de fotojornalismo em Paris

Montpellier Danse: encontro de gerações da dança contemporânea na França

Aos 88, cineasta Agnès Varda explora com fotógrafo JR os vilarejos franceses

Com ares pop, nova geração da música clássica francesa seduz grande público

Festival de fotos espalha 98 exposições por 32 cidades da Grande Paris

Festival "Les Femmes S’en Mêlent" valoriza produção musical feminina na França

The xx: novo cd I SEE YOU vai ser lançado no Lollapalloza, em São Paulo