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Festival de Veneza pode ser mais uma vez prévia do Oscar

Por RFI

Começa nesta quarta-feira (30) o Festival de Veneza, o mais antigo dos grandes eventos do cinema mundial. Neste ano, mais do que nunca, a mostra dá provas de como está cada vez mais voltada para o cinema americano.

Bruno Ghetti, de Veneza para a RFI Brasil

Muitos consideram que é a partir de Veneza que começa a corrida rumo à disputa do Oscar do ano seguinte. Basta lembrar que, no ano passado, “La La Land” estreou no festival italiano, e que em edições anteriores filmes como “Birdman” e “Spotlight” também foram lançados na mostra.

E parece que Veneza vem mais uma vez de olho em Hollywood. Na edição deste ano tem há pelo menos quatro longas na mostra competitiva que devem aparecer como favoritos na temporada de premiação. Um deles é o que abre o evento: “Downsizing”, do diretor Alexander Payne, que traz o ator Matt Damon no elenco. No filme, ele vive um homem que passa por um processo de encolhimento, chegando a caber na palma de uma mão humana.

Segundo a sinopse, ele faz isso para fugir dos seus problemas. Pela premissa, pode até fazer pensar em uma simples comédia brincalhona, que até nem combina muito com o tipo de filme que costuma ser escolhido pelos grandes festivais. Mas levando em conta o histórico do cineasta Alexander Payne, de filmes como “Os Descendentes” e “Nebraska”, no fundo deve ser mais uma grande crítica à sociedade americana, apesar do tom de fantasia descompromissada.

Filmes americanos em competição

Tem um outro filme estrelado pelo próprio Matt Damon e dirigido por outro grande astro, George Clooney. O longa se chama “Suburbicon”, que fala sobre um casal que leva uma vida aparentemente perfeita, em um subúrbio de uma cidade americana. O roteiro é assinado pelos irmãos Joel e Ethan Coen, de "Onde os Fracos Não Têm Vez”, então só isso já garante uma certa grife ao filme e um bom posicionamento na briga por prêmios na temporada.

Outro filme que promete dar o que falar é “The Shape of Water”, do diretor Guillermo del Toro. O mexicano ficou conhecido há alguns anos pelo premiadíssimo “O Labirinto do Fauno”, que ganhou 3 Oscars em 2007, em categorias mais técnicas. Desta vez ele volta a contar uma história de cunho fantástico. A trama se passa nos anos 60, durante a Guerra Fria, e fala sobre a amizade entre uma mulher muda e uma criatura estranha, que vive presa em um laboratório.

E por fim tem ainda o filme “Mãe!”, trabalho muito aguardado do diretor Darren Aronofski, que em anos anteriores se destacou na temporada de prêmios, com filmes como “Cisne Negro”. O novo trabalho do Aronofski é um suspense sobre um casal que tem a tranquilidade ameaçada após a visita de convidados inesperados. O trailer fez bastante sucesso na internet e já estão dizendo que a protagonista, a atriz Jennifer Lawrence, também vem aí muito forte tanto para o Oscar de melhor atriz quanto para a própria premiação em Veneza.

Opções fora do cardápio hollywoodiano

Apesar dos holofotes ao cinema americano, tem também bastante filme de natureza mais autoral em Veneza. Um dos destaques é o documentário do artista chinês Ai Weiwei, chamado “Human Flow”.

O foco do filme é na crise dos refugiados de diversas nacionalidades na Europa. O Weiwei é muito conhecido pela arte politizada que ele faz, que já lhe trouxe inclusive diversos problemas com o governo de Pequim – ele chegou a ser preso há alguns anos por razões obscuras, que muitos acreditam estar ligadas ao caráter subversivo da obra dele. É certamente um dos filmes mais aguardados do festival.

Destaques do cinema europeu

Do cinema europeu, o filme mais aguardado é “Mektub”, do franco-tunisiano Abdellatiff Kechiche, diretor que ganhou projeção mundial depois do sucesso do filme “Azul É a Cor Mais Quente”. Este é o primeiro longa dele desde que ganhou a Palma de Ouro em Cannes por esse controverso filme. Para concluir o longa que ele apresenta em Veneza, Kechiche chegou a anunciar que venderia o troféu que ganhou em Cannes em um leilão para arrecadar dinheiro e finalizar a obra.

Além dele, tem o novo filme do francês Robert Guédiguian, chamado “La Villa”, que mais uma vez tem uma forte conotação engajada, desta vez sobre um grupo que vive em uma comunidade de inspiração esquerdista. E também merecem destaque os novos filmes do japonês Hirokazo Kore-eda, que é um suspense chamado “The Third Murder”, e o documentário “Ex Libris”, do cineasta veterano Frederick Wiseman.

Wiseman é um dos documentaristas mais importantes da história e apresenta em Veneza um filme de três horas e meia sobre uma biblioteca pública em Nova York, mostrando como os livros em formato físico ainda resistem apesar do mundo digital se tornar cada vez mais forte na rotina de todos nós.

Brasil fora do festival

Veneza não costuma gostar muito nosso cinema, essa é que é a verdade. Depois do Brasil ter uma excelente participação em Berlim e até filme premiado em mostra paralela em Cannes, Veneza foi meio que um balde de água fria: não tem nenhum longa nacional exibido por lá. Mas se serve de consolo, tem dois filmes fora de competição que foram produzidos por brasileiros: “Zama” e “Invisible”, mas os dois são falados em espanhol e dirigidos por cineastas argentinos. Ou seja: desta vez, só vamos ter um gostinho de Brasil nos filmes dos nossos hermanos, mesmo.

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