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Artistas se preparam para celebrar o centenário de Ingmar Bergman

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Ingmar Bergman em 2003. AFP/PHOTO PRESSENBILD

A celebração do centenário de Ingmar Bergman em 2018 promete proporcionar um novo olhar sobre o cineasta das sombras íntimas, falecido há uma década, com adaptações de suas obras para o teatro e para a TV, assim como documentários e a publicação de textos inéditos.


O diretor sueco, falecido em 2007 aos 89 anos, completaria 100 anos em 14 de julho de 2018. A fundação que carrega seu nome se encarregará de coordenar a grande quantidade de eventos anunciados para tal ocasião.

No mundo inteiro serão feitas adaptações originais a partir de sua obra pública. São esperados filmes franceses, suecos ou alemães sobre esta personalidade fascinante, atormentada pela infância, as mulheres e a morte. Também estão programadas dezenas de retrospectivas, exposições e palestras.

"Suas obras foram objeto de cerca de 60 adaptações (para o teatro), veja só", diz por telefone Liv Ullmann, a musa do cineasta. "Em um ano haverá uma centena, isso significa que o mundo está fascinado".

Para os fãs de Bergman e os estudiosos, muitos textos serão publicados, além da reedição de suas obras e ensaios. O diretor era um escritor compulsivo que enchia seus cadernos de comentários, desenhos, colagens, etc.

Novas adaptações

Mas a poderosa escrita de Bergman se expressa sobretudo nos palcos, segundo Liv Ullmann, atriz norueguesa que foi companheira do diretor e atuou em "Quando duas mulheres pecam" e "Sonata de outono", além de ter dirigido "Infiel", em 2000, baseado em um roteiro do mestre sueco.

Em peças de teatro, sua escrita é "mais clara" para o público, afirma. O filtro da câmera, a violência ou a beleza das cenas, as cores vivas ou frias que Bergman utilizava em suas criações afastavam o espectador, opina Liv Ullmann. "Ao adaptá-lo ao teatro, você se aproxima das suas palavras", acrescenta.

Para a televisão, o criador da série americana "The Affair", o israelense Hagai Levi, retomará "Cenas de um casamento", a autópsia de um casal que agoniza.

Um diretor prolífico

Bergman, diretor e roteirista fecundo que sempre teve mais sucesso no exterior que no seu próprio país, construiu uma obra exigente, frequentemente de difícil acesso, que traz um reflexo perturbador dos seus medos e paixões.

Sua carreira cobriu a segunda metade do século 20, quando também brilhavam diretores como François Truffaut, Federico Fellini, Roberto Rossellini, Luis Buñuel e Akira Kurosawa.

Bergman dirigiu dezenas de obras no Teatro Dramático de Estocolmo, mas foi sobretudo seu cinema áspero, marcado por reflexões sobre o casamento, a morte e solidão, que lhe deu fama.

Entre seus filmes emblemáticos vale destacar "Morangos silvestres", Urso de ouro no Festival de Berlim em 1957, "O sétimo selo" (1957), "Gritos e sussurros" (1972), "Cenas de um casamento" (1974) e "Sonata de outono" (1978).

O cineasta sueco ganhou em três ocasiões o Oscar de melhor filme estrangeiro com "A fonte da donzela", em 1960, "Através de um espelho", em 1961, e "Fanny e Alexander", em 1983.

Bergman, que rejeitava os prêmios, não viajou a Cannes, em 1997, para receber a Palma das Palmas, uma atitude que aumentou sua fama de artista irascível.

(Com agência AFP)