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França amplia influência no Oriente Médio com Louvre de Abu Dhabi

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Entrada do Louvre Abu Dhabi nos Emirados Árabes Unidos. Reuters

Dez anos depois da assinatura de um contrato governamental entre a França e os Emirados Árabes Unidos, em março de 2007, o Museu Louvre Abu Dhabi abre suas portas ao público neste sábado (11), na ilha de Saadiyat, no Golfo Pérsico. As festividades vão durar três dias, com shows e espetáculos de dança de artistas de várias nacionalidades. A concretização desse projeto faraônico tem repercussões políticas, econômicas e culturais para os dois países.


Com a inauguração do Louvre Abu Dhabi, a França amplia sua influência em uma região do mundo estratégica sob vários aspectos. Além de demonstrar sua capacidade técnica na criação de polos artísticos em qualquer parte do mundo, o país estabelece uma ponte cultural com o mundo muçulmano, num momento de ameaça de retorno ao obscurantismo.

Paris encontrou no governo de Abu Dhabi um parceiro confiável e que demonstrou, ao longo de uma década marcada por polêmicas em torno do projeto do novo museu, a determinação necessária à concretização de um complexo majestoso.

Aposta nas futuras gerações

Do lado árabe, a aposta é feita em nome das futuras gerações e do setor do turismo. Abu Dhabi se dotou, nos últimos anos, de uma infraestrutura de lazer importante. A ilha de Saadiyat, em português ilha da Felicidade, distrito cultural onde o Louvre árabe foi construído, e a ilha de Yas, com um importante patrimônio arqueológico no oásis de Al Ain, atraem turistas interessados em programas de praia e deserto. A oferta cultural do Louvre Abu Dhabi acrescenta prestígio à capital.

Um dos países mais abertos à cultura ocidental na região do Golfo, os Emirados Árabes Unidos investem há vários anos na imagem de destino de referência para o intercâmbio internacional. Além do museu concebido pelo francês Jean Nouvel, a ilha de Saadiyat, dedicada às artes e à cultura, contará no futuro com o Zayed National Museum, projetado por outro expoente da arquitetura contemporânea, o britânico Lorde Norman Foster, e o Guggenheim Abu Dhabi, do canadense naturalizado americano Frank Gehry.

A New York University Abu Dhabi, uma universidade livre de artes e ciências, e a escola britânica privada Cranleigh Abu Dhabi completam a oferta educacional.

Acordo vantajoso para os museus franceses

O atual presidente do Louvre de Paris, Jean-Luc Martinez, garante que a proposta partiu do Oriente Médio. "O governo de Abu Dhabi concebeu um projeto pensando nas futuras gerações e investe na educação de seus jovens", afirma Martinez. A escolha do arquiteto francês Jean Nouvel também teria sido uma decisão das autoridades árabes.

Apesar dos protestos de ex-diretores de vários museus franceses, que se viram associados a uma empreitada repleta de riscos políticos e técnicos – como o empréstimo de obras de seus acervos para um país em que a temperatura ultrapassa com frequência 40°C e sem tradição museológica –, a proposta caiu como uma luva. O governo francês busca soluções alternativas para financiar parte de sua dispendiosa ação cultural.

Com os empréstimos de obras ao Louvre Abu Dhabi e a cooperação técnica das equipes francesas na montagem de exposições, a Agência Francesa de Museus (AFM), responsável pela manutenção e gestão do acervo artístico de 17 grandes instituições (museus d’Orsay e Pompidou, Biblioteca Nacional, Castelo de Versalhes, entre outros), irá rebecer a bagatela de € 1 bilhão (cerca de R$ 3,8 bilhões) nos próximos 30 anos.

Além dessa quantia apetitosa, o governo de Abu Dhabi financiou integralmente os € 600 milhões gastos na construção do museu. Pagou ainda € 400 milhões pelo uso da marca Louvre até 2037 e € 25 milhões, a título de doação excepcional, à margem do acordo de 2007, para financiar as reformas da ala Flore do Museu do Louvre de Paris.

É o que se chama de um acordo em que as duas partes saem ganhando. A título de anedota, a imprensa francesa destacou que o presidente Emmanuel Macron, no poder apenas desde o mês de maio deste ano, ainda teve a sorte de inaugurar essa obra prestigiosa, que faz a França mais uma vez brilhar pela promoção da cultura e da educação ao redor do mundo.