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"Clarice Lispector é única não só no Brasil, mas no mundo também", diz biógrafo Benjamin Moser

Por Mauricio Assumpção

No ano em que o mundo literário relembra os 40 anos da morte de Clarice Lispector, a Éditions des Femmes lança, na França, a coleção completa dos seus contos num único volume. O historiador e jornalista americano Benjamin Moser, autor da melhor biografia publicada sobre a escritora, assina a introdução da coletânea.

Em 2009, Moser lançou, nos Estados Unidos, Why this World, a mais completa biografia de Clarice Lispector, que, no Brasil, foi publicada pela editora Cosac & Naify com o título Clarice, uma biografia.

Desde então, o trabalho tem sido traduzido em várias línguas, incluindo o espanhol, francês e holandês, despertando não só o interesse pela dramática vida de Clarice, mas também por toda a sua obra.

Todos os Contos

Em 2015, Moser editou e publicou, em inglês, a coleção completa dos 85 contos da escritora, num único volume, de um modo, até então, jamais feito no Brasil.

“A grande novidade desse livro é que, pela primeira vez na história, você pode ler os contos de uma mulher de classe média, heterossexual, casada, com filhos, que descreve toda a sua vida (dos 19 anos até a morte). Isso não é uma novidade somente no Brasil. É algo inédito em nível mundial”, explica Moser.

Brincando com o português

Nascida na Ucrânia, filha de judeus que se refugiaram no Brasil, Clarice cresceu falando português sem jamais demonstrar estranhamento com a língua. Pelo contrário, a dominou ao ponto de manipulá-la com seus caprichos gramaticais.

“Ela mexeu com o português culto, renovando-o de uma tal maneira que, até hoje, é sentida na literatura brasileira”, opina Moser.

A vitória sobre o machismo

Mulher, esposa e mãe, Clarice encarou as dificuldades enfrentadas por qualquer escritor somadas ao fato de ser mulher no Brasil das décadas de 1940 e 1950.

“Clarice foi descrita como uma louca, que não sabia falar direito… Mas o machismo não era só no Brasil. Era em toda parte. Lendo resenhas publicadas na imprensa sobre livros escritos por mulheres, você sente a condescendência, o desprezo, uma coisa apavorante! O mais impressionante é ver como essas mulheres conseguiram continuar a escrever. Eu teria desistido se tivessem falado de mim assim!”, conclui Moser.

Clique no box abaixo para assistir à entrevista completa de Benjamin Moser.

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