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Grito de Frans Krajcberg pelo planeta “vai continuar a ecoar”

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Krajcberg promove "Grito pelo Planeta" em Paris. www.espacekrajcberg.com

Os defensores da floresta amazônica perderam um aliado precioso na luta contra o desmatamento. O artista plástico Frans Krajcberg faleceu nesta quarta-feira (15) no hospital Samaritano, no Rio de Janeiro, aos 96 anos. O polonês naturalizado brasileiro dedicou a vida a denunciar ação do homem contra a natureza, uma batalha que ele iniciou muito antes de o tema ganhar a importância que tem hoje.


Nos últimos anos, Krajcberg vivia entre o Brasil e Paris, onde mantinha o Espaço Krajcberg, dedicado a receber nomes que, como ele, colocam a natureza em primeiro plano na expressão artística. Meses antes de falecer, o artista mereceu o reconhecimento de um dos mais importantes museus franceses sobre a evolução humana, o Museu do Homem, em Paris.

Em 2016, o local abriu a exposição Frans Krajcberg – Um Artista em Resistência, dentro de uma programação especial sobre a humanidade e o meio ambiente. A mostra, encerrada em setembro, trazia esculturas, fotografias e pinturas de uma das principais personalidades engajadas na luta contra a destruição da Floresta Amazônica, traçando a trajetória do artista desde quando chegou ao Brasil, após a Segunda Guerra Mundial.

Artista plástico Frans Krajcberg foi condecorado em Paris Espace Frans Krajcberg

“Sabíamos que ele estava mais fraco, mas perdê-lo é muito difícil. Era uma pessoa extremamente cativante e presente”, comenta a presidente da Associação Amigos de Frans Krajcberg, Sylvie Depodt, admiradora da obra do brasileiro desde 2005.

O grito que que vai permanecer

A francesa mantinha regularmente contato com o artista e a última vez havia sido há dois meses. Ela e os demais "amigos de Krajcberg” ainda tinham esperança de voltar a vê-lo na sua visita a anual a Paris, feita a cada fim de ano. Depodt observa que, apesar da idade avançada, o artista se mantinha a par das notícias sobre a preservação do planeta – que não andavam nada animadoras nos últimos tempos, com o aumento do desmatamento no Brasil e a saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris sobre o Clima, firmado na capital francesa há dois anos.

“Ele partiu revoltado como sempre, embora jamais tenha perdido a esperança e o otimismo. Era uma voz sempre forte e virulenta, independentemente da idade e das doenças, em nome desse combate da vida dele”, afirma Depodt. “Precisamos de pessoas como ele, que não tenham medo de gritar forte”, completa, em referência à plataforma Grito pelo Planeta, criada por ele na época da Conferência do Clima de Paris (COP 21).

“Posso dizer que tive a grande emoção de conhecê-lo. Mesmo que ele tivesse 96 anos, a obra dele é muito contemporânea, com um conteúdo muito forte e atual”, observa a museóloga Juliane Oliveira, cofundadora do Centre Culturel du Brésil, que atua em parceria com o Espaço Krajcberg em Paris. “O grito pela preservação da natureza vai ficar ecoando por muito tempo.”

Depodt ressalta que o desafio agora é preservar a luta de Krajcberg. “Alguém tem de assumir a continuidade e continuar o seu combate. As pessoas precisam continuar envolvidas, como ele queria.”