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“Nós vendamos o público para tentar curá-lo da cegueira do Outro”, diz encenador de Cidade Cega

Por Mauricio Assumpção

Entre cegos e pessoas com baixa visão, o Brasil tem mais de 7 milhões de deficientes visuais. Transmitir a realidade vivida por essas pessoas é a proposta do grupo Noz Cego, que apresenta, em Paris, a experiência Cidade Cega, com encenação de Carlos Alberto Ferreira.

Criada em 2015 em Salvador, Bahia, Cidade Cega permite ao público entrar no cotidiano de um deficiente visual. Com os olhos vendados, a plateia é guiada por quatro atores, sendo três cegos, através de ruas impregnadas de barreiras, como postes, jardins e calçadas desniveladas. Porém, segundo o encenador Carlos Alberto Ferreira, a proposta vai além.

“A encenação tem o caráter de envolver os demais sentidos. Não se trata somente de se abordar a questão da acessibilidade. A meu ver, a acessibilidade já deveria fazer parte intrínseca do trabalho dos políticos, arquitetos e engenheiros. (...) Nós queremos incitar o público a interagir com o outro. É uma questão de alteridade. Como podemos ser altruístas no mundo de hoje, quando não queremos mais ver os problemas? A cegueira atual parece ter se instalado de tal maneira que nós não queremos ver o problema dos imigrantes, da pobreza, e os problemas que a própria urbe cria na questão da acessibilidade. Enfim, é uma forma de tirar as vendas. Nós vendamos os olhos do público para que, no final da encenação, ele possa tirar as vendas e se dar conta da relação dele com a cidade. Porque nós também somos cidade”, explica Ferreira.

A reação do público

Em Paris pela primeira vez, o Noz Cego vai se apresentar duas vezes na Cidade Universitária e outras duas no largo em frente ao Centro Cultural Georges Pompidou. Pela experiência da trupe, a primeira reação do público será o medo.

“Eles têm medo de participar de uma experiência como essa porque, sem ter lido nada de antemão, eles ficam surpresos ao se deparar com atores cegos! Depois, quando a venda é aceita e eles começam a participar da experiência, o corpo trava. Eles têm medo de andar (às cegas) pela rua. Têm medo dos carros, têm medo de rato, barata. Têm medo de se machucar. No final, quando as vendas são retiradas, ele querem conhecer a pessoa que os guiou. Porque eles criam uma relação de confiança com o guia. E, nesse caso, não há melhor guia que um cego, que “enxerga” o mundo de uma outra maneira”, conclui Ferreira.

Resta saber como os franceses verão a experiência de não poder ver.

Clique no quadro abaixo para assistir à entrevista completa de Carlos Alberto Ferreira.

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