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Exposição surpreendente reúne artistas contemporâneos brasileiros e chineses

Por RFI

Pela primeira vez obras de arte contemporânea do Brasil e da China serão apresentadas ao público juntas em uma grande retrospectiva. “Troposphere” é uma mostra inédita e grandiosa não apenas por reuni-las, mas por colocar as peças de 42 artistas, 21 do Brasil e 21 da China, lado a lado para que o público veja o que estes dois países tão diferentes têm em comum.

Vivian Oswald, correspondente da RFI em Pequim

A imensa escultura “Eu, você e a lua”, de 2014, do brasileiro Tunga, com suas cinco toneladas, conversa com a instalação do chinês Huang Long Ping, de 2012. As duas obras, dadas as dimensões, terão lugar de destaque na exibição que estará em cartaz a partir deste sábado (9) no Museu Minsheng de Pequim até o dia 3 de março.

Entre os artistas há uma seleção de nomes que vão de talentos consagrados, como Adriana Varejão, Vik Muniz e Luiz Zerbini, a jovens criadores, como André Komatsu, Abraham Palanik e Ana Prata. Do lado chinês, o visitante irá apreciar trabalhos de Cai Lei, Song Dong, Li Songsong, Jiang Zhi e Ma Qiusha.

É muito impressionante reconhecer nas telas, esculturas, instalações, fotografias e vídeos traços, tons, materiais, estilos e temas em comum. Os artistas dos dois países jamais se viram. Muitos deles sequer sabiam da existência do outro, do outro lado do mundo, explica Sarina Tanga, chinesa nascida em Xangai, criada em São Paulo e uma das curadoras da exposição. "Tenho certeza de que eles vão ver a relação entre as obras dos artistas chineses e dos brasileiros. Os artistas vão entender e o público vai entender através dos artistas chineses. Por isso, achei importante colocar os dois juntos, para fazer uma ponte para o público conhecer a produção brasileira", diz Sarina.

Obra de Adriana Varejão. Foto: Divulgação

Somadas as obras e suas partes, são mais de 300 peças trazidas do acervo de muses, galerias e colecionadores do Brasil, da Europa e da própria China. Algumas foram criadas em Pequim, como a instalação de 37 ferramentas de fazenda da instalação do mineiro Afonso Tostes, que trabalha num ateliê montado na capital chinesa há duas semanas. Em sua primeira visita à China, Tostes reúne instrumentos vindos do Brasil com outros tirados do campo chinês. As peças que está usando foram coletadas na província de Hebei, vizinha de Pequim.

"Tenho certeza de que essa exposição tem envergadura extremamente importante não só por ter essa relação Brasil e China, mas a exposição em si, as obras, os artistas o tamanho disso, o volume disso. A importância dessas obras é de uma escala que transcende os limites de uma exposição só interessada nessa relação. É muito surprendente descobrir e reconhecer poéticas muito semelhantes sem lugares tão diferentes e sem o contato direto ou permanente", destaca Tostes.

Ainda não se sabe se a exposição seguirá para outras cidades chinesas, ou até mesmo para outros países. Sarina, a curadora, acredita que sim, sobretudo depois que a mostra for vista. Segundo ela, ninguém, nem mesmo os organizadores, imaginavam a dimensão que teria.

 

“Blue Tango”, do fotógrafo Miguel Rio Branco. Foto: Divulgação

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