rfi

Ouvindo
  • RFI Brasil
  • Último jornal
  • RFI em francês
RFI CONVIDA
rss itunes

"Trabalhar com cultura piorou muito desde o golpe", diz a coreógrafa Lia Rodrigues

Por Patricia Moribe

A coreógrafa Lia Rodrigues traz de volta à França o espetáculo "Pindorama", que estreou em Paris em 2013. Em entrevista exclusiva à RFI Brasil, ela fala sobre as dificuldades de se trabalhar com cultura em um estado falido como o Rio de Janeiro e em um país pós-golpe.

A França faz parte da história de Lia. A língua veio através de anos de cursos na Aliança Francesa. A dança veio pela companhia da francesa Maguy Marin, para a qual a brasileira trabalhou nos anos 1980. Essa familiaridade ajudou Lia a forjar parcerias privilegiadas com instituições francesas de prestígio, como o Teatro Nacional de Chaillot, um verdadeiro templo da dança contemporânea, e o inovador Centro 104.

“Essa relação com a França e outros países da Europa tem sido essencial para a sobrevivência não só do meu trabalho como artista, mas de todos os projetos que eu desenvolvo na favela da Maré, junto com a ONG Redes da Maré”, explica a coreógrafa.

Golpe e presidente deplorável

“Infelizmente nunca deixou de ser complicado trabalhar com arte e educação no Brasil”, lamenta Lia. “A situação melhorou bastante no início do governo Lula, mas ficou muito difícil no último ano, desde o golpe que colocou no poder um presidente deplorável, o Temer”.

Ela cita ainda, entre os entraves, o não cumprimento de compromissos assumidos pela prefeitura carioca com a classe artística e o governo falido do estado do Rio de Janeiro. “Temos um ex-prefeito e um ex-governador na cadeia, para você ter ideia do desastre econômico e social que estamos vivendo”, acrescenta.

Sobre a onda moralizadora recente no país, que levou à anulação da exposição Queermuseum, em Porto Alegre, ela estima que o movimento é global. Lia cita o exemplo de Israel, onde apresentou recentemente Pindorama. “A ministra da Cultura disse que não vai mais dar dinheiro para festivais que mostram o nu”.

“No Brasil, essa onda da direita é terrível, atinge todas as áreas, é uma situação seríssima, mas tem muita gente se mobilizando contra isso, o que é muito importante – é preciso estar muito atento e vigilante o tempo inteiro. É um boato que segue, que coloca artistas e pessoas que estão trabalhando há tantos anos em posições muito frágeis, muito difíceis”, diz Lia.

Lia Rodrigues e sua companhia de dança estão na Europa apresentando “Para que o céu não caia” e “Pindorama”.

“Diálogo com a criança é extremamente importante”, diz autora de livro infantil sobre câncer de mama

"Crianças francesas vão adorar ver Neymar numa situação tão humana e próxima deles", diz tradutora dos quadrinhos 'As aventuras de Neymar Jr'

Romain Vicari, artista plástico franco-brasileiro, expõe "bumerangue cultural" em Paris

“Aquecimento global é desafio do presente e do futuro para a produção de vinho”, diz enóloga brasileira à frente da OIV

“A ditadura não resiste à música”, afirma compositor multi-instrumentista Hermeto Pascoal

Avignon: “As crianças entendem tudo”, diz Miguel Fragata, diretor de peça infantil sobre refugiados

Decisão de Favreto sobre libertação de Lula deveria ter sido cumprida, dizem juristas ouvidos pela RFI

Sonho, rito e alteridade: ritual xavante inspira solo de brasileira em Montpellier Danse

Teatro do Oprimido de Paris remonta peça de Boal e questiona Brasil atual

"A seleção da França é quase toda afro-francesa", diz Gilberto Gil em Paris

Eleição presidencial no México tem semelhanças com Brasil, diz embaixador Rubens Barbosa

Vencedor do Prêmio Icatu, maestro brasileiro estreia em Paris novo sistema musical que homenageia Bach

“A música brasileira é muito maior do que as confusões políticas do país”, diz Kiko Loureiro, guitarrista do Megadeth

Artista plástica brasileira exibe em Paris obras inspiradas em arquitetos modernistas