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Pianista Pablo Rossi faz um retrato sobre a música clássica na China

Um dos países que mais têm investido em música clássica do mundo, a China tem hoje cerca de 40 milhões de crianças que estudam piano, possivelmente inspiradas nas dezenas de pianistas chineses profissionais que têm ganho prêmios internacionais importantes mundo afora.

Para o pianista brasileiro Pablo Rossi, que saiu em uma mini-turnê no país, agora em dezembro, está mais claro do que nunca o interesse e o entusiasmo dos chineses pela música clássica, sobretudo dos jovens, e por que é preciso tocar na China. A idade do público chamou a atenção do brasileiro, que se apresentou no NCPA, em Pequim, uma das casas mais prestigiadas da capital, e no Music Hall de Xangai. Esta foi a primeira experiência do músico brasileiro na China.

"É a minha primeira experiência no continente asiático e tem sido surpreendente, ver uma outra cultura. Já tinha morado alguns anos em Moscou, tido contato com uma cultura um tanto distante da brasileira, mas, aqui, superou essa minha expectativa de maneira positiva. Fiquei bastante surpreso com a receptividade do público. É um público que tem uma empolgação latente, dá para ver que eles vêm aos concertos muitos receptivos à música, que têm uma curiosidade muito grande pela música brasileira, apesar do pouco conhecimento e contato com essa música."

Viagem pela história da música clássica no Brasil

Pablo montou um programa especial para os recitais da China, uma espécie de antologia da música brasileira. A ideia foi tentar construir uma ponte entre os séculos XIX e XX, mostrando a trajetória musical do país e como foi importante a influência europeia desde o romantismo tardio, com compositores menos conhecidos do público, no Brasil inclusive, como Henrique Oswald, até o período mais modernista e vanguardista, com Heitor Villa-Lobos, reconhecido internacionalmente.

  A música brasileira como é conhecida no século XX, a música modernista brasileira nacionalista, só pode existir por causa de compositores românticos, como é o caso de Henrique Oswald e Alberto Nepomuceno, que pavimentaram a estrada para o surgimento de artistas como Heitor Villa-Lobos e a linguagem nacional.

Na China, Pablo contou ao público, na abertura dos recitais, que a influência da Europa se deu, não apenas pelo contexto da época, mas por ligações diretas entre entre compositores europeus e brasileiros de uma mesma geração. O húngaro Franz Lizt, que transcreveu as canções do austríaco Franz Schubert, por exemplo, explorou a linguagem mais nostálgica e lírica do piano, o que se vê nas obras de Henrique Oswald, de quem era amigo, assim como o francês Gabriel Faurré e outros compositores de sua época. Pablo lembra que o modernista Camargo Guarnieri tinha como primeiro nome Mozart. Seus três irmãos chamavam-se Rossini, Verdi e Bellini.

Perfil dos artistas chineses

Após os receitais, o pianista brasileiro ainda deu uma aula-magna no Conservatório de Xangai, onde pode conversar com os jovens músicos. Apesar dos investimentos e do excelente desempenho dos pianistas chineses em concursos, muitos especialistas dizem que, embora dominem a técnica, falta a eles um envolvimento emocional com a música clássica. Para Pablo, uma explicação está no fato de se tratarem de culturas tão diferentes.

  Após a minha aula no conservatório de Xangai, estive conversando com o chefe de departamento de música e chegamos a fazer essa análise: um ponto muito difícil de acesso para os alunos é poder se introduzir nesse cultura musical que é basicamente, como eu provei com o nosso repertório dos recitais, influenciada pela Europa. Não há como dizer que os compositores brasileiros não foram influenciados diretamente pela linguagem europeia, e assim toda a musica ocidental   afirma.

Tradição chinesa

  O background deles é totalmente outro. Eles têm pouca tradição em música clássica com essa linguagem ocidental. Eles têm muito forte uma música folclórica, uma música tradicional. É óbvio que demora muito para poderem absorver toda essa bagagem cultural e também sair um pouco dessa visão um pouco tecnocrata que eles têm, como em todas as profissões basicamente, mas que, na parte de música, é mais difícil, porque cria um bloqueio sentimental e de envolvimento, que é muito importante, do artista com a sua obra, com o seu instrumento, com a música.

 

O pianista brasileiro Pablo Rossi em um café de Pequim. Foto: Vivian Oswald

Nascido em Florianópolis, Pablo foi o mais jovem pianista a vencer o concurso Nelson Freire e o mais jovem solista a tocar a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp). Ele estudou no Conservatório Tchaikovski em Moscou durante seis anos, onde foi aluno de uma das professoras mais importantes da Rússia, Elisso Virsaladze.

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