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Morre aos 70 anos a cantora francesa France Gall

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France Gall, interpretando "Poupée de Cire, Poupée de Son", no Eurovisão de 1965. STR / AFP

A cantora francesa France Gall faleceu na manhã deste domingo (7), aos 70 anos, em Paris, em decorrência de um câncer. O anúncio foi feito por um comunicado divulgado por sua assessora, Geneviève Salama.


"Há palavras que jamais gostaríamos de pronunciar. France Gall se juntou ao 'paradis blanc' em 7 de janeiro, depois de ter lutado por dois anos, com discrição e dignidade, contra um câncer", indicou, referindo-se à música "Le Paradis Blanc" (O Paraíso Branco, em português). A canção, que evoca a morte, foi escrita pelo músico francês Michel Berger, de quem France Gall foi musa, intérprete e esposa.

Nascida em uma família de músicos, a cantora tornou-se famosa aos 16 anos, nos anos 60 na França. Aos 18 anos, recebeu seu primeiro prêmio, na edição de 1965 do concurso Eurovisão, com a canção "Poupée de Cire, Poupée de Son" (Boneca de Cera, Boneca de Som, em tradução livre).

A cantora deixa uma vasta obra musical e essencial para a cultura popular francesa. Entre as várias canções que fizeram sucesso em sua interpretação estão "La groupie du pianiste", "Si, Maman, si", "Ella, elle l'a", "Quelques mots d'amour", ou ainda "Résiste".

Les Sucettes: a polêmica dos pirulitos

No entanto, foi "Les Sucettes" (Os Pirulitos, em português) que a tornou um ícone da canção pop francesa, devido a uma controversa polêmica. Escrita por Serge Gainsbourg, em 1967, France Gall, aos 19 anos, não teria percebido o conteúdo sexual da letra.

"Annie aime les sucettes à l'anis", canta inocentemente a jovem no vídeo, sem se dar conta que "Annie gosta de pirulitos de anis" teria outra interpretação. 

Ao se ver no centro da polêmica, Frances Gall se sente humilhada e rompe a amizade com Gainsbourg. Em 2015, em uma entrevista ao jornal Le Parisien, a cantora voltou a falar sobre o caso e a garantir que, ao gravar a canção, não percebeu o duplo sentido da letra, ressaltado no clipe da música.

Uma vida de tragédias

Não apenas de sucesso e polêmicas foi marcada a carreira de France Gall, que viveu também inúmeras tragédias pessoais ao longo de sua vida.

Em 1992, perdeu o marido, vítima de um ataque cardíaco, aos 44 anos. Meses depois, a cantora desenvolveu um câncer de mama, que conseguiu vencer. Em 1997, perdeu a filha, Pauline, de 19 anos, devido a uma fibrose cística.

As tragédias pessoais levaram France Gall a interromper precocemente a carreira. Chegou a fazer duas aparições em 2000 para interpretar “Quelque Chose de Tennessee”, ao lado do cantor Johnny Hallyday, na sala Olympia, em Paris, mas jamais voltou a subir no palco.

Em 2015, aos 68 anos, a cantora participou do musical "Résiste", com as músicas da autoria do marido, mas não entrou em cena, apareceu apenas em um vídeo exibido durante a atração.

Desde dezembro de 2017, Frances Gall estava hospitalizada devido a complicações relacionadas ao câncer. Amiga de décadas de Johnny Hallyday, não pôde ir à homenagem póstuma ao roqueiro, há algumas semanas.