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Assédio sexual: mundo da moda denuncia seus "Harvey Weinstein"

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Os fotógrafos Mario Testino e Bruce Weber foram acusados de assédio sexual. Mike Coppola / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / AFP/Michael loccisan

Em plena temporada de desfiles de moda masculina na Europa, o mundo da moda começou a se mobilizar contra o assédio sexual. Após várias acusações contra o fotógrafo Terry Richardson, Mario Testino e Bruce Weber foram apontados por conduta inapropriada, desta vez visando modelos masculinos. O escândalo chegou a criar um novo slogam, o #MenToo.


Após a publicação durante o fim de semana de um longo texto no New York Times, no qual 15 modelos e 13 assistentes acusam os fotógrafos Mario Testino e Bruce Weber de assédio sexual, vários representantes do setor começaram a se mobilizar. “Os dois são meus amigos pessoais, que deram contribuições extraordinárias para Vogue e outros títulos do Condé Nast”, declarou a editora da bíblia da moda, Anna Wintour. “Eu acredito no valor do remorso e do perdão, mas levo essas alegações muito a sério”, continuou em um comunicado assinado com o diretor executivo do grupo, Bob Suerberg, antes de informar que interromperá todas as colaborações com os fotógrafos.

Do lado das marcas, habituadas a contratar Weber e Testino, as reações também começam a surgir. Michael Kors et Stuart Weitzman anunciaram que não trabalharão mais com o peruano, conhecido por suas imagens de celebridades, inclusive dos retratos oficiais da família real britânica. Ralph Lauren não citou Testino, mas disse que não fará mais negócios com alguém que se comporta dessa maneira.

Harvey Weinstein da moda

Essa não é a primeira vez que o mundo da moda é sacudido por esse tipo de escândalo. No ano passado, o americano Terry Richardson foi acusado de assédio sexual e perdeu seu contrato com as marcas Bulgari e Valentino, além de ser chamado “Harvey Weinstein da moda”, em alusão ao magnata do cinema. O fotógrafo, que dirigiu o último clipe da cantora brasileira Anitta e imortalizou personalidades como Beyoncé e Barack Obama, já havia sido alvo de outras denúncias em 2014, quando se tornou persona non grata na revista Vogue americana.

O assunto também tomou conta das redes sociais, principalmente quando a modelo Cameron Roussel criou o #MyJobShouldnotIncludeabuse (« ser abusada não faz parte do meu trabalho »). Em sua conta no Instagram, ela reuniu dezenas de testemunhos de mulheres vítimas de abuso de fotógrafos, agentes, publicitário ou editores de revistas.

Homens ganham menos que mulheres

Mas a particularidade dos casos Weber e Testino é que, desta vez, como no escândalo envolvendo o brasileiro Marcelo Gomes, bailarino principal do prestigiado American Ballet Theater (ABT), as vítimas dos abusos são homens. Em uma indústria – talvez a única no mundo – na qual as mulheres são mais bem pagas que os rapazes, a reportagem do New York Times revela a fragilidade e a precariedade de jovens, muitos deles adolescentes, que também enfrentam predadores sexuais ou simplesmente manipuladores.

“Os modelos masculinos são os menos respeitados e os mais descartáveis”, declarou na reportagem o ex-modelo Trish Goff. Já o modelo Christopher Cates, uma das possíveis vítimas de Weber, teve uma ideia: depois do #Metoo, criado após o escândalo Weinstein, ele iniciou o #MenToo. Um novo debate está lançado.

Vídeo: Modelos relatam abuso sexual cometido por fotógrafos