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Rock, electro, punk, rap: conheça os artistas que estão fazendo vibrar a cena musical na França

Por Daniella Franco

Esqueça todos os clichês sobre a chanson française. A nova geração de bandas e artistas da França chega para revolucionar e renovar tudo o que você ouvia até agora. Rock, indie, punk, electro, rap: há novos grupos, sons e estilos para todos os gostos ou todos os ouvidos.

Alguns desses novos nomes já vêm lotando as principais salas de espetáculo do país, outros devem chacoalhar o line-up dos festivais de verão na Europa e novos álbuns já embalam esse começo de ano. A RFI fez uma lista com as dez principais novidades e promessas da música francesa: aumente o volume!

1. Perez – o príncipe dark

O cantor Julien Perez não é exatamente um novato na música. Nascido em 1986 em Bordeaux, no oeste da França, o artista passou por duas bandas antes de investir na carreira solo, evoluindo do punk hardcore da Metronome Charisma ao indie rock da Adam Kesher. "Le Prince Noir", a primeira faixa solo de Perez arrepia a crítica com os acordes dark, a voz poderosa e a poesia de suas atormentadas letras, todas em francês. Dois anos depois, o cantor lança seu primeiro álbum, "Saltos", com faixas oscilando entre o synth-pop, electro e uma pitada de chanson française. "Cavernes", o segundo disco do príncipe dark de Bordeaux acaba de ser lançado e surpreende a crítica pela maturidade e a evolução artística.

"É raro que um cantor proponha essa mistura de chanson française com techno. Se você aprecia esse estilo musical, mas mora no Brasil e não entende francês, pode com certeza se deixar levar pela melodia e força da entonação de Perez. Porque ele tem uma forma de cantar que já traduz as letras de suas músicas. Nem sempre precisamos dominar uma língua para se apaixonar por um artista", diz em entrevista à RFI Azzedine Fall, jornalista dos Inrocks, a maior revista especializada em música na França.

2. Doce e lascivo Agar Agar

Um synth-pop lascivo, remetendo aos anos 80, mas com toda a jovialidade dos 20 e poucos anos de Clara Cappagli e Armand Bushel do duo Agar Agar. Um teclado poderoso e uma voz sensual que aqueceram o coração da crítica com a faixa "The Prettiest Virgin" e levaram a dupla aos principais festivais de música de 2017.

Agar Agar faz parte de um movimento da música francesa que prefere interpretar suas faixas em inglês, de olho em uma carreira internacional. A estratégia dá certo: com apenas um EP e a promessa de lançamento do primeiro álbum neste ano, Clara e Armand já lotam salas de espetáculos como a emblemática Cigalle, em Paris, onde se apresentam em março.

3. As lagostas e cerejas do Ruby Cube

De Toulouse, no sudoeste da França, vem o indie rock do quinteto Ruby Cube, de provocar inveja aos britânicos, reis desse estilo musical. A dançante "Lobsters and Cherries", primeiro single da banda, ficou no repeat das principais plataformas de música em 2017, principal meio de divulgação do grupo, segundo o cantor do quinteto, Samson Didry-Stancioff. "Flesh", o primeiro álbum desses carismáticos indie rockers do sudoeste francês foi lançado no final do ano passado com todas as faixas em inglês.

"98% das músicas que ouvimos são de grupos que cantam em inglês e sobretudo que vêm do Reino Unido, como Metronomy, Foals, Klaxons... Além disso, minha mãe é americana, então eu já tinha essa familiaridade com o inglês. Depois também acho que escrever uma música pop em francês é diferente. O inglês é mais fácil, mais leve, sem neura", explicou Samson à RFI.

4. Voar com Las Aves

Também de Toulouse, vem outra promessa da nova geração da música francesa: Las Aves. O electropop kitsch do quarteto liderado pela melódica voz de Géraldine Baux impressiona pela audácia e a energia.

Impossível não se deixar contagiar com a vibrante faixa "Die in Shangai", nome também do primeiro álbum do Las Aves. Depois de um ano inteiro em turnê pela França em 2017, o grupo anunciou que já trabalha no segundo disco que, com sorte, será lançado ainda neste ano.

5. O tropicalismo de L’Impératrice

Mas nem todos preferem se render à anglofonia. L'Impératrice, outro novo grupo do pop francês, se mantém fiel à língua natal, mas nos leva para o além-mar com seu ensolarado synth-lounge. Não foi à toa que o sexteto glam chacoalhou o último verão dos franceses e coloriu o line-up dos principais festivais do país.

Se conquistar o público foi fácil, difícil mesmo é conseguir entradas para os shows de L'Impératrice, que se esgotam em poucos minutos. Considerando que a banda nem lançou seu primeiro álbum: Matahari, previsto para 2 de março, deve animar o próximo verão.

6. Encontro marcado com o post-punk do Rendez-Vous

Para os fãs de post-punk, industrial e darkwave, Rendez-Vous é o grupo a ser descoberto. O quarteto parisiense, liderado pelos poderosos vocais do jovem Francis Mallari, planeja lançar seu primeiro álbum neste ano, mas o EP Distance já deu o que falar.

Ainda que o post-punk não seja exatamente o estilo preferido do público francês, a mistura entre um synth raivoso e o sombrio romantismo de Rendez-Vous cativa os ouvidos em busca de novos ritmos dark. Mas, atenção, sem nenhuma nostalgia dos anos 70 e 80 – rótulo rejeitado pelos membros da banda que não eram nem nascidos nas décadas auge do punk.

7. Grand Blanc faz "bam!"

Mais electro, mas igualmente sombrio e impactante, o enérgico post-punk do quarteto Grand Blanc, de Metz, nordeste da França, transcende do trash ao crash. "Faz bam !", diz o jornal Le Monde sobre o grupo. Guitarra histérica, teclado, bateria e baixo exagerados, regados à estridente voz de Camille Delvecchio ou os graves vocais Benoît David.

"Mémoires Vives", o primeiro álbum da banda, lançado em 2016 e cantado todo em francês, é força, melodia e poesia. Não demorou muito tempo para que o som Grand Blanc percorresse o território francês rapidamente, conquistando público e crítica. Os acordes urbanos do quarteto continuam a toda potência neste ano: o primeiro single sai em poucos dias, o novo disco em poucos meses.

8. Moha La Squale : novo sopro do rap francês

Electro, indie, rock, punk e também rap. A França não deixa a desejar nesse estilo musical que conquistou o público jovem na última década. Novos rappers surgem a cada ano e ganham espaço na cena musical e nos palcos de grandes festivais.

No entanto, Moha La Squale é o novo sopro do rap francês. A estratégia de publicar um freestyle em sua página no Facebook a cada domingo chamou a atenção da crítica: ex-traficante, hoje estudante da prestigiada escola de teatro Cours Florent, Moha La Squale trocou o crime pela poesia e acertou em cheio.

"É um fenômeno da internet, que chama a atenção com seus vídeos publicados no Facebook e porque que faz um rap old school, sem o recurso do auto-tune dos rappers de hoje. O que faz Moha La Squale nos remete um pouco aos anos 90, mas com características bem modernas", avalia o jornalista dos Inrocks, Azzedine Fall.

9. O rap trans de Lomepal

O enigmático rapper Lomepal, de 26 anos, é também um dos músicos mais populares do momento. Excêntrico, singular, o artista exprime o desejo de renovar o rap com seu primeiro álbum "Flip", em que aparece maquiado na capa. O rap "trans", como o próprio Lomepal descreve, é fiel ao camaleônico artista que, apesar de extremamente bem-humorado, produziu um primeiro disco pessoal e melancólico, para quebrar tabus e derrubar todos os clichês relacionados a esse estilo de música.

10. O turbo chillwave do Dead Sea

A música eletrônica ganha um novo estilo com o quarteto parisiense Dead Sea: o turbo chillwave, como o próprio grupo classifica seu trabalho. Rótulos à parte, Alex, Julien, Charles e doce voz de Caroline redefinem com modestia e perfeição o shoe gaze. Em entrevista à imprensa especializada francesa, o grupo afirma querer criar "a música do futuro", utilizando efeitos de sintetizadores e guitarra.

Até o momento, o quarteto lançou apenas duas faixas: as oníricas "Lotion" e « "8.50", mas vêm encantando o público nos palcos de shows e festivais. Dead Sea é uma aguardada promessa para 2018 e uma pepita para os amadores do electro.

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