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Associação é criada na França para preservar memória da soprano brasileira

Por Silvano Mendes

Em setembro de 2017 foi sepultada na França a cantora lírica Maria d’Apparecida. Apesar de ter conquistado sucesso ao ter se tornado a primeira brasileira a se apresentar na Ópera de Paris, na década de 1960, ela é pouco conhecida do grande público. Uma associação está sendo criada para preservar sua memória.

A história de Maria d’Apparecida comoveu parte da comunidade brasileira. Radicada em Paris desde os anos 1960, a cantora morreu sozinha e, como não tinha família, seu corpo teve que esperar dois meses antes de ser sepultado. Nesse momento, a nova geração descobriu que a soprano, que gravou discos com nomes como Baden Powell quando deixou o canto lírico, ajudou a popularizar a música brasileira na França.

Enquanto estava viva e atuante, a cantora recebeu honrarias como o título de Oficial das Artes e das Letras da Legião de Honra da França, das mãos do então presidente François Mitterrand, ou ainda uma medalha da cidade de Paris, entregue pelo então prefeito Jacques Chirac. Maria d’Apparecida foi até tema de um poema de Carlos Drumont de Andrade, intitulado “A Voz”.

Mas “ela caiu no esquecimento e é conhecida apenas no meio musical”, conta Maria Luisa Souto Maior, que junto com um grupo de conhecidos e admiradores da cantora lançou a associação Os amigos de Maria d’Apparecida. “Queremos desenvolver projetos em torno de seu nome, inclusive uma possível biografia”, já que a artista deixou muito material sobre sua carreira, inclusive um diário.

A associação será lançada nesta sexta-feira (2) no instituto cultural franco-brasileiro Alter’Brasilis com uma apresentação da soprano Ivonete Rigot-Muller, que vai interpretar cantos brasileiros, acompanhada de César Birschner no piano.

Soprano encontrou racismo no Brasil

Maria d’Apparecida também entrou para a história por ser uma das raras cantoras negras no restrito mundo da música lírica da época. Em 1965, o jornal Figaro Littéraire, chegou a dar como manchete a estréia de “Uma Carmem negra e brasileira”, em alusão ao personagem da história de Bizet, interpretada pela cantora na Ópera de Paris.

Porém, ela não chegou a ser discriminada na França. Mesmo se houve repercussão sobre esse aspecto, “ela não encontrou resistência em Paris ou em Bordeaux, onde apresentou pela primeira vez a obra”, relata Maria Luisa. “A maior resistência foi no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, quando ela foi como toda a trupe da Ópera Garnier”. O diretor da instituição carioca defendeu a apresentação da brasileira, que foi um verdadeiro sucesso.

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