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Filme de Animação Japão

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Morre Isao Takahata, um dos grandes nomes da animação japonesa

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Takahata em fevereiro de 2015, na cerimônia do Oscar. REUTERS/Mario Anzuoni

O estúdio japonês de animação Ghibli anunciou nesta sexta-feira (6) a morte de Isao Takahata, aos 82 anos, em Tóquio.


Com informações do correspondente da RFI em Tóquio, Frédéric Charles

O cineasta, animador, roteirista e produtor japonês, concorreu ao Oscar por "Túmulo dos Vagalumes", em 2015. Ele estava internado em um hospital da capital japonesa, por causa de um câncer de pulmão.

Nascido em 1935 na atual Ise, prefeitura de Mie, a cerca de 450 km de Tóquio, Takahata começou sua carreira nos estúdios de animação Toei em 1959. Foi lá que conheceu Hayao Miyazaki, com quem colaborou durante anos, especialmente em séries para a televisão como "Heidi" (1974) ou "Marco" (1976).

Sucesso planetário

Isao Takahata criou em 1985 o célebre estúdio de animação Ghibli com Miyazaki, mais jovem do que ele, discípulo, cúmplice e, às vezes, rival. Durante meio século, seus nomes estiveram ligados a dezenas de obras-primas da animação japonesa.

O sucesso planetário de Ghibli está ligado ao cruzamento entre o cinema, os quadrinhos e as culturas japonesa, americana e europeias. Ao contrário de Miyazaki, os filmes de Takahata não tinham um estilo facilmente reconhecível, ele era antes de tudo um artista de grandes relatos.

O longa “Túmulo dos Vagalumes” foi inspirado em sua própria experiência de criança que sobreviveu à guerra e aos bombardeios americanos em Okayama, em 1945.

Marcado pela destruição da guerra

Apavorado com os ataques americanos, ele fugiu descalço e de pijama com uma de suas irmãs, segundo relatou em uma entrevista publicada em 2015 pelo jornal Japan Times. Ao voltar para casa, ele recordou ter visto muitos cadáveres empilhados nas ruas. "Tivemos a sorte de sair vivos", disse ele.

A história do filme começa com a morte do pequeno Seita e sua irmã Setsuko. "É traumático para os espectadores ver como as vidas de dois seres felizes são destruídas e vê-los morrer. Tento aliviar o sofrimento do público, revelando tudo desde o começo", explicou.

A experiência da guerra também o levou a defender qualquer tentativa de emenda ao Artigo 9 da Constituição pacifista do Japão, que estipula que "o povo japonês renuncia para sempre à guerra".

Tahakata também dirigiu "Only Yesterday" (1991), "Pompoko - A Grande Batalha dos Guaxinins" (1994) e "Meus Vizinhos, os Yamada" (1999), e produziu vários filmes de Miyazaki como "Nausicaä do Vale do Vento" ou "O Castelo no Céu".

Mais recentemente, adaptou em imagens "O Conto da Princesa Kaguya", uma redescoberta do clássico japonês que lhe valeu uma indicação ao Oscar de melhor filme de animação em 2015. Ele havia anunciado que seria seu último trabalho.

"O Conto da Princesa Kaguya", de Isao Takahata. The Walt Disney Company France

Francófilo, admirador de Prévert

Lançado no Japão em novembro de 2013, o filme é a adaptação de uma história popular do século X, considerado um dos textos fundadores da literatura japonesa. Impregnado de poesia infinita, a obra tece seu enredo e desenvolve as emoções de seus personagens, desenhados a carvão, em cores pasteis que lembram uma aquarela.

Takahata era também um apaixonado pela literatura francesa, língua que estudou na universidade. Admirador de Prévert, ele foi condecorado com o título francês de Oficial da Ordem das Artes e das Letras em 2015. Segundo o Jornal Asahi, ele será enterrado nos próximos dias antes de uma cerimônia pública dia 15 de maio.

(com informações da AFP)