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Mostra em Paris propõe imersão entre arte e robôs

Por Patricia Moribe

Artistas e Robôs é o nome da exposição em cartaz no Grand Palais, em Paris.  É uma mostra diferente, com robôs ganhando papel de destaque tanto quanto os próprios artistas criadores. São instalações de imersão e de interatividade, que fascinam visitantes de todas as idades.

“Não é uma exposição sobre tecnologia ou ciências, mesmo se as pessoas que trabalham nesses campos apreciam a mostra. Escolhemos obras impactantes, interessantes e estimulantes do ponto de vista da história da arte”, explica a historiadora de arte Laurence Bertrand Dorléac, que é curadora ao lado de Jérôme Neutres.

O percurso tem três etapas, com obras a partir dos anos 1950 até os dias de hoje. A primeira parte é chamada de “máquina de criação”, com objetos que são ativados e passam a criar. Ali temos artistas visionários, como o suíço Jean Tinguely e a sua Méta-Matic, de 1959, que, acionada por uma ficha, faz garranchos coloridos e diversos. Já os carrinhos do português Leonel Moura passeiam por uma enorme tela branca, deixando traços e mais traços, completando quadros gigantescos.

Instalação "Robot Art", de Leonel Moura. Patricia Moribe/RFI

Criação ao vivo

“É um grande ateliê de criação, ou seja, estamos vendo uma obra sendo criada. Geralmente quando se vai a uma exposição, as obras estão prontas. Mas no Grand Palais, elas estão em plena produção, é uma experiência muito viva”, explica a curadora. “Eu penso em Patrick Tresset, por exemplo, cuja instalação é uma escolinha de robôs, que fazem desenhos sublimes e um diferente um do outro. Ele mesmo, criador dos robôs, estava surpreso. O artista delegou parte do poder às maquinas, que desenham e o surpreendem”, completa Laurence Bertrand Dorléac.

Robôs-alunos desenham na instalação de Patrick Tresset. Patricia Moribe/RFI

Na segunda parte do itinerário, o robô desaparece de cena, e entram no lugar as instalações programadas por algoritmos, que se transformam em função da interação com o visitante.

Números infinitos

Como em Reflexão 2, câmara escura da paulista Raquel Kogan, povoada por fileiras infinitas de números que sofrem a interferência dos corpos e ações dos visitantes. A ideia veio de Reflexão 1, como conta a artista: “Era uma projeção na parede e a reflexão em um espelho d’água. Observando muito as pessoas, me veio a ideia do Reflexão 2, em que eu inverti, ou seja, a projeção é no chão, e a reflexão é nos jogos de espelhos nas paredes, o que dá o infinito, o caminho infinito de número”.

De acordo com a movimentação – ou não – dos visitantes e das cores das roupas que eles usam, as fileiras de números mudam de direção, de intensidade e de cor. “A interação modifica a instalação, essa imersão altera e é diferente em cada momento, pois não depende só de você, mas de todos os que estão ao seu redor e da movimentação”, diz Raquel Kogan.

“Para mim, os números fazem parte de uma linguagem universal, com uma sequência, começando pelo número um, que não é único, são vários, está sempre se modificando, dependendo da interação”, explica a artista.

O robô é um rival?

Na terceira parte da exposição, o robô se emancipa. Será que ele se torna um rival do homem? Será que a máquina pode ultrapassar o humano?

Em Portrait on the Fly, de Laurent Mignonneau e Christa Sommerer, o visitante se posta diante de uma tela em branco. Dez mil moscas digitais se locomovem para reproduzir um retrato instável da pessoa que olha. Em Untitled, do austríaco Peter Kogler, uma impressão digital sobre vinil recobre paredes, teto e chão de um corredor com motivos gráficos em espirais psicodélicas.

A artista plástica francesa ORLAN, feminista e transmídia, apresenta sua robô Orlanoide e o japonês Takashi Murakami vira um monge budista pós-Fukushima, com duas caras e dois pares de olhos.

Mais que uma visita, trata-se de uma experiência lúdica e sensorial.

Artistas e Robôs ficam em cartaz até 9 de julho.

Monge pós-Fukushima, de Takashi Murakami. Patricia Moribe/RFI

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