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Cannes 2018

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Drama familiar do japonês Hirokazu Kore-eda leva a Palma de Ouro em Cannes

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Hirokazu Kore-eda recebe a Palma de Ouro da atriz Cate Blanchett, presidente do júri. REUTERS/Eric Gaillard

O japonês Kore-edokazu reafirmou que é um mestre das relações familiares problemáticas e da direção de crianças. Ele foi o grande vencedor da noite em Cannes, neste sábado (19), com a Palma de Ouro para Manbiki Kazoku.


Enviada especial ao Festival de Cinema Internacional de Cannes

O longa-metragem trata de relações carinhosas entre pessoas – e crianças – traumatizadas pela vida em família, mas que tentam, de uma forma ou outra, construir outros tipos de laços. A filmografia de Kore-eda tem obras sensíveis como Ninguém Pode Saber (2004), Seguindo em Frente (2008), Pais e Filhos (Prêmio do júri em 2013) e Depois da Tempestade (2016).

Spike Lee ganhou o segundo prêmio mais importante, o Grand Prix, por BlacKkKlansman. O filme conta a história improvável, mas verídica, de um policial negro que consegue se infiltrar na Ku Klux Klan, na América dos anos 1970, da Guerra do Vietnã e dos Black Panthers. O filme traz uma mensagem forte, com momentos tragicômicos impagáveis, sobre o racismo nos Estados Unidos. O mesmo racismo que, no ano passado, incendiou Charlottesville, no sul do país, e deu destaque ao movimento de extrema-direita alt-right e à própria KKK. Lee, 61, voltou a Cannes 27 anos depois de competir pela Palma de Ouro com Febre da Selva (1991).

Spike Lee recebe o Grand Prix de Cannes. REUTERS/Eric Gaillard

“Fui estuprada por Harvey Weinstein aqui em Cannes”

“Em 1997, aqui mesmo em Cannes, fui estuprada pelo produtor Harvey Weinstein”, declarou a atriz italiana Asia Argento, que apresentou o prêmio de melhor interpretação feminina. Ela denunciou os que encobriram o americano e o comportamento indigno da indústria cinematografia.

O prêmio de atriz foi para a cazaque Samal Esljamova, personagem principal de Ayka, dirigido por Sergey Dvortsevoy. Ela é uma jovem cazaque ilegal na Rússia, que acaba de dar à luz a um bebê, mas abandona o filho no hospital e segue direto para o trabalha, depenando galinhas. Ela vive num cortiço, está atolada em dívidas e é perseguida por agiotas mafiosos. O drama e a dor se estampam no rosto suado da atriz.

Begnini faz o público rir

O prêmio de melhor ator, apresentado pelo italiano Roberto Begnini foi para outro italiano, Marcello Fonte, do filme Dogman, de Matteo Garrone. Fonte faz um esteticista canino, boa gente, pacato. Mas um ex-boxeador que aterroriza o bairro leva Marcello, que também é o nome do personagem, a tomar uma atitude radical. O elenco canino de Dogman levou um Palme Dog, um prêmio coletivo para os atores quadrúpedes.

Marcello Fonte, prêmio de melhor ator por "Dogman"; Roberto Benigni aplaude. REUTERS/Eric Gaillard

Empoderamento

O prêmio do júri foi para Capharnaüm, da libanesa Nadine Labaki. No filme, Zain, de 12 anos, cresce num mundo de delinquência e abuso, com pais imorais e muitos irmãos. Quando a irmã que ele tanto gosta é dada em casamento aos 11 anos, Zain sai pela vida, vendo que ela é mais desumana ainda. Cuida de um bebê, tenta trabalhar e acaba na prisão, junto com adultos. Tanta desgraça que faz pensar em Pixote, Miseráveis e Dickens. Labaki lembrou que o Líbano é o país que mais recebeu refugiados, como o próprio ator principal, o refugiado sírio Zain Al Rafeea, de 13 anos.

Nadine Labaki foi uma das três mulheres concorrendo com filmes este ano pela Palma de Outro, entre 21 cineastas. Em todos os 71 anos da competição na Riviera Francesa, apenas 82 mulheres foram indicadas, em comparação a 1.645 homens.

Nadine Labaki levou o prêmio do júri por "Capharnaüm". REUTERS/Eric Gaillard

O polonês Pawel Pawlikowski, de Cold War, levou o prêmio de melhor direção. O de roteiro foi dividido entre 3 Rostos, de Nader Saeivar e Jafar Panahi (impedido pelo governo iraniano de viajar a Cannes), e Lazzaro Felice, da italiana Alice Rohrwacher. Jean-Luc Godard levou um prêmio especial por Le Livre d'Image.

A Palma de Ouro de curta-metragem foi para All These Creatures, de Charles Williamson. O prêmio Câmera de Ouro foi para Girl, do belga Lukas Dhont, sobre um adolescente, nascido menino, que sonha em ser bailarina. O longa também recebeu o prêmio Fipresci, da crítica internacional.

A cerimônia foi encerrada por um show surpresa de Sting, no tapete vermelho do festival.