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Prémio Camões Literatura

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Escritor cabo-verdiano Germano Almeida vence Prêmio Camões

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O escritor cabo-verdiano Germano Almeida. Wikipedia

Germano Almeida é o segundo escritor de Cabo Verde em menos de dez anos a vencer o mais importante prêmio de literatura de língua portuguesa.


Germano Almeida, vencedor do Prêmio Camões 2018, vive em Mindelo, no norte do arquipélago, e espera que Cabo Verde saiba aproveitar as distinções para projetar o nome do país no Mundo.

“Sempre esperamos ganhar um prêmio. Mas não contava com esta distinção tão rapidamente, afinal o Camões dado a Arménio Vieira veio há poucos anos [2009]. Nesse sentido, foi uma surpresa”, declarou o escritor em entrevista à RFI. “Espero que Cabo Verde saiba aproveitar essa visibilidade para projetar cada vez mais seu nome. Sempre achei, por exemplo, que Cabo Verde se serviu muito mal de Cesária Évora, por exemplo, para projetar seu nome no mundo”, disse.

Advogado de profissão, Germano Almeida se formou em Direito na Universidade de Lisboa e estreou como contista no início da década de 1980, na revista cabo-verdiana Ponto & Vírgula, que ajudou a fundar. Publicou o primeiro livro, O dia das calças roladas, em 1982, ao qual se seguiu O Meu Poeta, sete anos depois.

Em sua extensa bibliografia, profundamente marcada pelo humor e pela sátira, destacam-se obras como O testamento do Sr. Napomuceno da Silva Araújo (1991), cujos direitos foram comprados por vários países, como Itália, França, Alemanha, Suécia ou Dinamarca. O livro inspirou um filme, premiado no Brasil.

O presidente da Academia cabo-verdiana de Letras, David Hopffer Almada, mostrou-se satisfeito com atribuição do prêmio Camões 2018 a Almeida e disse que há muito tempo que o escritor merecia uma distinção deste nível. O ministro da Cultura e das Indústrias Criativas do país, Abraão Vicente, felicitou pela conquista e considerou que o Prêmio Camões 2018 “consagra o escritor, Germano Almeida que transpôs a barreira da literatura e dos contos cabo-verdianos além-fronteiras, levando estórias, baseadas em factos reais, aos vários livros que tem escrito ao longo da sua vida”.

Reação do presidente de Cabo Verde

“É uma ótima notícia, para ele em primeiro lugar, mas também para a literatura e os escritores cabo-verdianos, e para Cabo Verde. É um importante prêmio literário, o mais conhecido de língua portuguesa, e ganharmos o Camões depois de nove anos [do primeiro]. É muito bom, é o reconhecimento do que ele fez em termos de literatura. O autor ficará mais conhecido, mesmo que já seja um dos autores cabo-verdianos mais lidos e mais traduzidos, mas o prêmio pode expandir o conhecimento de Germano Almeida, de nossa prosa de ficção, e de nossa literatura", disse Jorge Carlos Fonseca, presidente de Cabo Verde.

*Com informações de Odair Santos, correspondente da RFI em Cabo Verde