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"Só no Brasil existe preconceito contra o funk", diz Anitta em Paris

Por Silvano Mendes

Anitta está fazendo sua primeira turnê europeia. Depois de ter se apresentado com grande destaque no Rock in Rio Lisboa, ela faz show em Paris nesta terça-feira (26), antes de seguir para Londres. Em entrevista exclusiva à RFI Brasil, a cantora fala sobre preconceito e diz que o povo brasileiro deve valorizar mais o que produz.

Depois de ter desembarcado vestida de Carmem Miranda dentro de um contêiner com os dizeres “Made in Brazil” no palco principal do Rock in Rio Lisboa, Anitta se apresenta na casa de espetáculos parisiense Trianon, no bairro de Montmartre. “Eu trouxe uma mistura da minha história com a história do Brasil, musicalmente falando, e do funk”, contou, pouco antes do show em Paris.

Na sala ao lado, dezenas de jornalistas estrangeiros esperavam pacientemente para falar com a brasileira, que passava de entrevistas em inglês para o espanhol sem hesitar. Alguns repórteres aproveitaram a simpatia da cantora e pediram que ela mostrasse o segredo do rebolado que a tornou conhecida mundialmente, principalmente após a canção “Prepara – Show das Poderosas” e o clipe “Vai Malandra”, que já foi visto mais de 270 milhões de vezes no Youtube.

Esse vídeo, cujas imagens chegam a ser discutidas nas salas de aula da Sorbonne para debater temas como representação do corpo, questões de gênero e racismo, exalta a diversidade e a vida nas comunidades do Rio de Janeiro, o que parece fascinar os estrangeiros. “Não imaginei que suscitaria tanto comentário”, afirma Anitta. “Eu só fiz uma coisa real, que já acontecia na minha adolescência, na minha infância. A galera é de lá, da comunidade. Não foi nada inventado. A celulite é minha. É tudo verdade naquele clipe”, explica.

A cantora também confessa que falhou ao contratar o fotógrafo Terry Richardson para dirigir o vídeo. “É uma coisa que a gente realmente não sabia e fui falha nesse ponto. Até discutimos, pensamos em cancelar”, conta a carioca, em resposta às polêmicas ligadas ao fotógrafo, acusado de assédio sexual. “Mas era uma coisa tão importante para a gente em tantos aspectos que decidimos deixar e foi uma boa decisão, pois acabou movimentando muitas discussões”.

"Beyoncé Carioca"

Anitta chegou a ser chamada de “Beyoncé Carioca” pelo jornal francês Le Monde. “Se alguém pode me considerar 10% da Beyoncé, eu já me sinto muito especial”, diz a brasileira ao descobrir que foi comparada com Queen B. “Ela é um ícone para mim, uma referência”.

Apesar da modéstia, a cantora sabe que, com sua visibilidade cada vez maior no exterior, principalmente graças às colaborações escolhidas estrategicamente (Iggy Azalea, J. Balvin, ou ainda Maluma), começa a se aproximar de seus ídolos. Basta lembrar que em 2017 ela foi eleita pelo ranking da Billboard como a 15ª artista mais influente nas redes sociais, ultrapassando Lady Gaga, Shakira e Rihanna. Para ela, isso é uma prova do potencial do Brasil. “Eu acho que às vezes o brasileiro não se dá conta do próprio poder. Nós somos do tamanho de um continente e muitas vezes o próprio brasileiro não valoriza o que é seu”, comenta. “Temos que entender que essas pessoas fora do Brasil são incríveis, mas nós também podemos ser vistos por outras pessoas como incríveis. A gente precisa ter um pouco mais de patriotismo”, alfineta.

Anitta também fala da receptividade do funk no exterior. E, ao ser questionada sobre o preconceito que o ritmo pode sofrer, retruca sem hesitar: “Só se for no Brasil, porque fora todo mundo vê o funk como um ritmo extraordinário. Realmente, só no Brasil que existe esse preconceito com uma coisa que é nossa. Fora, muito pelo contrário. O funk só é motivo para as pessoas admirarem mais ainda”, finaliza.

A turnê da cantora continua em Londres, com show na quinta-feira (28) no Royal Albert Hall, um dos mais prestigiosos teatros do Reino Unido.

Assista a entrevista completa no vídeo abaixo. 

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