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Fotografia Arles Fotografia Brasileira Maio de 68

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Arles: festival traz o melhor da fotografia ao sul da França

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Da série "Midnight at the Crossroads", Brasil, 2016, cortesia dos artistas. Cristina de Middel e Bruno de Morais

Fotógrafos consagrados, emergentes e novatos. Todos estão em Arles, no sul da França: nos locais de exposição, igrejas, galerias, pelas ruas. Trata-se da 49ª edição do Rencontres d’Arles, que abriu nesta segunda-feira (2).


Da enviada especial a Arles

Até 23 de setembro, a charmosa cidade vira referência do mundo da fotografia. O cartaz deste ano traduz um pouco da irreverência do evento, com uma imagem do americano William Wegman, conhecido por colocar usar seus cães da raça Weimaraner como modelos.

William Wegman, "Casual", 2002. Cortesia do artista e da galeria Sperone Westwater. @William Wegman/Sperone Westwater Gallery

50 anos depois

O turbulento ano de 1968 no mundo é um dos destaques de Arles. Começando pela França, onde Maio de 1968 virou marco na história, sinônimo de uma sociedade em transformação, em ebulição na forma de revolta estudantil e greves gerais. Arles traz os arquivos fotográficos da polícia de Paris, principalmente sobre as barricadas no Quartier Latin, o então bairro universitário da Sorbonne.

Arquivos da polícia de Paris. Maio de 1968. @Polícia de Paris

O tema se desdobra em fotos de agências, de cartazes da época feitos por alunos da Escola de Belas Artes de Paris, ou ainda nas intervenções do artista argentino Marcelo Brodsky em conflitos do mesmo ano em vários países, incluindo o Brasil, com uma imagem da “Batalha da Maria Antonia”, um confronto entre alunos da USP e da faculdade Mackenzie, que na época ficavam na mesma rua.

Cartaz feito por alunos da Escola de Belas Artes de Paris. @Michel Dixmier and Kharbine-Tapabor

Brodsky também colocou cores em uma famosa foto em que atrizes brasileiras, de mãos dadas, marcham contra a ditadura, sempre em 1968: Eva Todor, Tonia Carrero, Ewa Wilma, Leila Diniz, Odete Lara e Norma Bengell.

Foto de atrizes brasileiras contra a ditadura em imagem trabalhada pelo artista argentino Marcelo Brodsky. Patricia Moribe/RFI

Ano de perdas

Pelo mundo, 1968 continua em Arles com Bob Kennedy, senador assassinado no dia 6 de junho. O fotógrafo Paul Fusco estava no trem que levou o corpo do irmão mais novo de John Kennedy, cotado para ser presidente, do estado de Nova York até a capital Washington, registrando uma América em luto, com pessoas fazendo reverências, com faixas de adeus.

Da série RFK Funeral Train, 1968. Cortesia da Danziger Gallery. Paul Fusco/Magnum Photos

A famosa série chama-se “O Trem” e é colocada em confronto com as fotos que Rein Jelle Terpstra recolheu de pessoas que fotografaram justamente o trem funerário. Para complementar a exposição, o artista Philippe Parreno fez um filme em 70 mm com “o ponto de vista do morto”.

Outro mito assassinado em 1968 e presente em Arles é o pastor e ativista de direitos humanos Martin Luther King Jr.

"America Great Again"

A complexa América também está no evento francês através dos olhos de dois estrangeiros, que ziguezaguearam pelo país colhendo imagens inusitadas e reveladoras: o suíço Robert Frank e o francês Raymond Depardon. O nome da exposição? “America Great Again” (América grande novamente), parafraseando e ironizando um certo presidente que esbravejou a citação.

Sioux City, Iowa, 1968. Autorização de Raymond Depardon/Magnum Photos. Raymond Depardon/Magnum Photos

Exu, Eshu

A primeira semana do festival de Arles é uma encruzilhada de fazedores e propagadores de imagens, onde uma horda de fotógrafos, curadores, editores e amantes do ofício se (re)encontram, trocam experiências e contatos.

E falando em encruzilhada, o evento deste ano traz um brasileiro entre os principais artistas em exposição. Bruno de Morais e a espanhola Cristina de Middel trazem um belo trabalho sobre Exu em vários países: Benim, Cuba, Brasil e Haiti.

Da série "Midnight at the Crossroads", Benim, 2016, cortesia dos artistas. Cristina de Middel e Bruno de Morais