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Antes de fechar as portas, Maison Rouge de Paris traz exposição sobre sonho de voar

Por Patricia Moribe

Depois de 14 anos e 131 exposições, a Maison Rouge, em Paris, fecha as portas em outubro. Mas antes, para se despedir, o espaço propõe uma viagem lúdica ao sonho de voar, com "L'envol ou le rêve de voler" (o voo ou o sonho de voar).

São fotos e filmes de Ícaros variados, sérios ou poéticos, asas de todos os tipos, incluindo um estudo de Rodin. Protótipos de máquinas voadoras para o homem fazem alusão a Leonardo da Vinci. Bicicletas, helicópteros e outras engenhocas de todos os tamanhos também se espalham num percurso sem setas nem indicações. A bússola é o próprio visitante.

Bicliceta voadora na Maison Rouge, em Paris. @Patricia Moribe

“Voar é também atravessar fronteiras. Resolvemos logo no início tirar as separações, a arte bruta aparece ao lado da contemporânea”, conta Aline Vidal, do grupo de curadores. “A fusão foi mágica, tudo foi se encaixando, a pessoa pode ficar mais tempo diante de uma obra, depois passar para uma outra completamente diferente, tudo com muita fluidez”, completa.

A visita começa com a cena de uma estátua de Cristo gigantesca, atada a um helicóptero, sobrevoa Roma em “La Dolce Vita”, de Federico Fellini. Rodin marca presença com o estudo de uma asa de anjo. O artista japonês Shimabaku lança no ar uma pipa com a sua própria figura e ele parece caminhar no céu.

Público assiste a projeções no teto em mostra na Maison Rouge, em Paris. @Patricia Moribe

Uma plataforma inclinada e acolchoada convida as pessoas a se deitar para olhar o telão no teto, que passa vídeos de dança. Um trecho do documentário “Aurélie Dupont, l’espace d’um instant”, do cineasta Cédric Klapisch mostra a ex-estrela e atual diretora do Balé da Ópera de Paris, em um pas-de-deux com Laurent Hillaire, de tirar o fôlego, um beijo infinito com asas, ao som de Mozart, em coreografia de Angelin Preljocaj.

Interdisciplinar e interativa, o visitante pode também experimentar sensações, como entrar num quarto escuro repleto de micro bolas de isopor. A impressão é de não ter chão. O público passeia, contorna as instalações e sonha. Como Michelle: “É maravilhoso. É entrar em uma outra dimensão, sonhar, ter esperança, experimentar algo leve. É aéreo, também dá a sensação de liberdade.”

"Luna", instalação de Fabio Mauri, na Maison Rouge, em Paris. @Patricia Moribe

Outra boa surpresa é conhecer de perto o trabalho do recluso Henry Darger, que trabalhava num hospital de Chicago. Quando morreu em 1973, os proprietários do apartamento onde ele vivia descobriram uma impressionante obra póstuma de desenhos pintados à mão e manuscritos. Com pequenos seres hermafroditas ou pré-adolescentes, Darger criava metros e metros de uma tapeçaria em papel com aventuras cheias de desafios de um povo surreal lutando contra as ameaças do mundo adulto.

Obra do recluso Henry Darger, na Maison Rouge, em Paris. @Patricia Moribe

Apesar das cem mil pessoas que visitam os 1.300m² da Maison Rouge todos os anos, o alto custo de manutenção também pesou na decisão de fechar o local. A conta é de € 3 milhões por ano. O colecionador Antoine de Galbert, criador da Maison Rouge, fala a respeito:

“Eu sempre digo que para mim, a Maison Rouge é um ser. Não é um museu, que é eterno. Não é um prédio. É um ser que se enriqueceu com as milhares de pessoas que vieram aqui recarregá-la como uma pilha. Portanto, os seres podem ir embora, desaparecer, voltar de novo. É preciso pensar dessa forma”.

“O voo ou o sonho de voar” fica em cartaz até 28 de outubro na Maison Rouge, em Paris.

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