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Japonismos 2018 destaca na França o melhor da cultura nipônica

Por Patricia Moribe

Uma forte admiração mútua liga França e Japão. Os dois países comemoram neste ano 160 anos de relações diplomáticas. Para marcar a data, uma agenda com o melhor da cultura japonesa vai desfilar pela França até fevereiro de 2019.

A temporada seria oficialmente aberta pelo primeiro-ministro Shinzo Abe em Paris, que teve de cancelar sua vinda à França por causa das catástrofes recentes provocadas por fortes tempestades. Abe seria inclusive o convidado de honra de Emmanuel Macron no desfile militar de 14 de julho.

O espírito japonês, no entanto, vem dando a tônica para vários eventos na França, desde o início do ano. No Festival de Histórias em Quadrinhos de Angoulême, no sudoeste da França, em janeiro, o Japão já era o tema, com uma grande exposição sobre a obra de Osamu Tezuka. O músico Ryuichi Sakamoto se apresentou em março na capital francesa.

O artista plástico Foujita (1886-1968), um grande apaixonado pela França, onde viveu boa parte da vida, é tema de uma retrospectiva em janeiro de 2019. Ele também foi tema de outra retrospectiva recente que foi até o último dia 15 de julho, no museu Maillol.

Léonard Foujita, Auto-Retrato, 1929, Museu Nacional de Arte Moderna, Quioto. © Fundação Foujita / Adagp, Paris, 2018

“França é a melhor amiga da cultura japonesa”

O termo “japonismo” remete à primeira onda de fascinação de artistas franceses pela arte nipônica, no final do século 19, principalmente por objetos e estampas japonesas. Van Gogh, por exemplo, era um ávido colecionador – tinha mais de 400 estampas – e transpunha a inspiração em suas próprias obras. Mas assim como Manet, outro apaixonado pela leveza das gravuras ukiyo-ê, o pintor holandês nunca pôs os pés na terra do sol nascente.    

“A França é a melhor amiga da cultura japonesa. Há muito respeito mútuo. O povo francês conhece a nossa produção muito bem. Além disso, a França é uma espécie de centro artístico do mundo. Então vamos mostrar, de novo, a diversidade da cultura japonesa para os franceses e também para um público internacional”, diz Tomoaki Shimane, vice-presidente da Casa da Cultura do Japão em Paris (MCJP, na sigla em francês), organismo organizador do evento.

Shimane também explica que a admiração é mutua. “Desde a abertura do país ao ocidente, há 150 anos, a admiração pela cultura francesa é grande. Aprendemos muita coisa sobre a arte, a literatura e a música da França”.

Banho de espuma

“Fukami, um mergulho na estética japonesa”, um dos carros-chefes da programação é uma verdadeira viagem de sensações visuais, com relíquias artísticas em contraponto com interpretações ocidentais, feitas por Picasso e Gauguin, por exemplo. A exposição também traz o privilégio de conhecer ou rever boa parte das "36 vistas do monte Fuji", do artista Hokusai. A viagem termina num mundo de espumas em mutação, tudo controlado por computadores. A instalação “Foam” (espuma), de Kohei Nawa, foi exibida em São Paulo, no ano passado.

"Foam", ou "Espuma". Tetsuo Ito 2016 Aichi Triennale Organizing Committee

“Nessa exposição há dois elementos, o tradicional e o contemporâneo. O objetivo foi mostrar não só a continuidade, mas como os dois elementos coabitam, o tradicional e o contemporâneo”.

A imersão cultural promete. Na parte de espetáculos, o teatro e a música tradicionais estarão presente com peças kabuki, nô, bunraku, concertos de tambores e shamisen. A Philarmonie de Paris vai apresentar um espetáculo de gagaku, música da corte ou musica sagrada da era Heian, século 8 a 12.

Nô e Kyôgen. Aoi no Ue ©Yoshihiro Maejima

Também na música, moderno e contemporâneo se mesclam, com novas leituras e invenções. Os espetáculos tecno estão no programa, incluindo uma apresentação da cantora virtual Hatsune Miku, em turnê europeia de verdade.

Estruturas

Na arquitetura, o destaque vai para uma retrospectiva do arquiteto Tadao Ando, 76 anos, um dos grandes nomes da arquitetura mundial, prêmio Pritzker, o mais importante da categoria, em 1995. A mostra acontece no Centro Pompidou de outubro até o final do ano. No Louvre, Kohei Nawa, o mesmo da espuma eletrônica, instalou um gigantesco trono dourado flutuando na abóboda da pirâmide projetada por Ieoh Ming Pei.

"Trono", de Kohei Nawa, no Louvre. ©-Kohei-Nawa--SANDWICH-Inc

Os eventos do Japonismos 2018 também vão incluir um outro eixo, sobre “a arte de viver”, com workshops e palestras sobre a cozinha japonesa, o sakê, o chá, o ikebana, e também sobre a cultura zen.

Zen Week_坐禅 Nishimura Egaku

A programação completa de Japonismes 2018, em japonês, inglês e francês, está no site japonismes.org

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