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“Riqueza infinita”: apresentador Gilles Bourgarel promove música brasileira há 14 anos na Françar

Por Márcia Bechara

“Brasil Alto Astral” é o nome do programa sobre música brasileira que ele produz e apresenta há 14 anos na Aligre FM, uma das principais rádios da França. Além disse, ele produziu nomes como Elza Soares, em Paris, e assina o sucesso de “Avenida Brasil”, a maior festa brasileira na Europa, que chegou a reunir 1,3 mil pessoas na casa de espetáculos La Bellevilloise, no 20° distrito da capital francesa. O RFI Convida nesta sexta-feira (24) o apresentador Gilles Bourgarel.

*Para ouvir a entrevista na íntegra, clique na foto acima

Gilles Bourgarel faz parte de uma linhagem de franceses que, apaixonados pela música brasileira, fazem dela uma espécie de passaporte cultural para o Brasil na França, como Remy Kolpa Koupur e Pierre Barouh, este último responsável por popularizar a Bossa Nova em terras francesas com o selo “Saravah”, de 1965.

“Acho que sim, que posso me considerar parte dessa tradição. Pierre Barouh me abriu as portas de sua casa, ele vinha sempre na rádio, a gente se via sempre nos shows, fui na Rádio Nova. Dividimos essa mesma paixão, o meu prazer é realmente passar esse conhecimento e fazer os franceses gostarem desses artistas que eu admiro”, diz o apresentador.

Do carimbo ao sertanejo universitário, do tecno-brega ao funk carioca ou ao rap paulista, Gilles Bourgarel tem suas preferências, mas afirma não dominar todo o espectro de diversidade de ritmos brasileiros. “Não conheço tudo do Brasil; já viajei bastante, mas não posso dizer que eu conheço tudo da música brasileira. Conheço bem a MPB”, explica Bourgarel. “Conheço bem a Bossa Nova, o samba, gosto muito do [ritmo paraense] carimbó, adoro o maracatu, mas não conheço muito bem todos esses ritmos, existem quase cem ritmos no Brasil. Aprendo todo dia”, diz.

“Riqueza infinita”

O apresentador, que já entrevistou nomes como Jorge Bem, Gal Costa, Fernanda Montenegro, Elza Soares e Henri Salvador, recorda que um dos momentos mais especiais de sua carreira promovendo a música brasileira na Aligre FM foi entrevistando Tom Zé. “Ele é tão intenso e inteligente, fala sobre tudo e com muita propriedade e força, quando fui jantar mais tarde não conseguia me desconectar do que ele havia dito, estava completamente absorto”, lembra. Perguntado sobre como ele definiria a música brasileira nestes 14 anos passados à frente do programa “Brasil Alto Astral”, Bourgarel não possui dúvidas: uma “riqueza infinita”.

Uma série de grandes músicos franceses construíram um diálogo estreito com a música brasileira, como Jeanne Moreau em “Joana Francesa”, Dalida em “A Banda”, ou Claude Nougaro com “Bidonville”, adaptação francesa de Berimbau, de Vinícius de Moraes e do Baden Powell. Segundo Bougarel, a fascinação da França pela música brasileira é algo natural.

“Todos os franceses adoram o Brasil, mesmo sem nunca ter ido lá. O Nicoletta cantou Jorge Ben, trouxe os discos dele pra cá, o Jorge Bem é muito grato a ele. Tem o Pierre Bairouh, Michel Fougain, vários... Os franceses possuem uma imagem paradisíaca do Brasil”, diz.

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