rfi

Ouvindo
  • RFI Brasil
  • Último jornal
  • RFI em francês
RFI CONVIDA
rss itunes

Calixto Neto dança a “ira” para reinventar “corpos minoritários” no Festival Camping, em Paris

Por Márcia Bechara

Ele participou do Festival Camping, do Centro Nacional de Dança da França com o espetáculo “oh! rage” (“oh! ira”, em português) . Performer, bailarino, coreógrafo, criador, Calixto neto vem de uma formação de teatro em Recife, com passagens pela dança contemporânea, com a Cia Lia Rodrigues e a Escola Livre de Dança da Maré, no Rio de Janeiro e um mestrado Exerce, em Montpellier, no sul da França. O RFI Convida conversou com o bailarino sobre desconstrução de clichês, minorias, lideranças e reinvenção do corpo através da dança.

*Para ouvir a entrevista na íntegra, clique na image acima

“O corpo negro vem cheio de clichês, mas meu trabalho é justamente nesse lugar da desconstrução desses clichês. Como se eu passasse um marca-texto embaixo dos clichês para dizer ‘olha, esses clichês existem, e eles precisam ser desfeitos’ “, diz Calixto Neto. Sobre a emergência do feminismo negro no Brasil, com lideranças como Djamila Ribeiro e Marielle Franco, o bailarino afirma que “elas são fontes para mim, sigo estas pessoas, estou sempre lendo o que estão produzindo”.

 Além do aparato teórico que alimenta seu trabalho, Calixto diz que existe “o aparato do mundo virtual e da vida real”: “existe essa dimensão biográfica, que eu acho que toca no corpo masculino, mas também na desconstrução dessa masculinidade, do que pode ser essa fragilidade masculina, negra, porque [esta masculinidade negra] é um lugar de muita projeção, de ideias pré-concebidas que são reafirmadas nas coisas mais sutis do meu dia-a-dia”.

Sobre a inferioridade numérica de lideranças masculinas negras no Brasil, em comparação com a emergência de uma geração de lideranças femininas negras, o performer disse que “Não sinto falta. Está mais do que na hora de termos lideranças femininas, negras, trans, homossexuais, minoritárias”. “Obviamente que ter lideranças masculinas é interessante, elas existem, mas acho que precisamos bater palmas e passar o bastão dessa vez para as mulheres”, completa.

“oh! rage”, o espetáculo de Calixto Neto, faz uma brincadeira em francês com a palavra “orage”, “tempestade” e se inspira livremente no livro da indiana Gayatri Spivak, “Os subalternos podem enfim falar?”. “É um texto fundamental para os estudos pós-coloniais e a resposta, no final, é que os subalternos não podem enfim falar. Não por uma questão física, eles possuem o aparato físico para isso. Mas eles podem politicamente se posicionar em algum lugar e ter as suas vozes ouvidas”, diz o performer.

"Vitimização de Lula é estratégia do PT para angariar votos", diz cientista político

Sergio Amadeu: combate à desinformação na rede é importante mas não pode virar censura

“Nosso trabalho é mais valorizado fora do Brasil”, diz Sandra Veloso, do Balé Folclórico de Fortaleza

Ilustradora Suppa e Miguel Falabella criam canal no Youtube para crianças de todas as idades

A carne é um objeto de sedução e excitação, diz Júlio Bressane em Locarno

"Rever acordos de paz com as FARC é um risco para novo presidente da Colômbia”, diz historiador

Em Arles, Thyago Nogueira, do IMS, divulga fotografia brasileira contemporânea

Cineasta franco-suíço apresenta filme sobre a busca por entrevista com João Gilberto

Documentário brasileiro “Zaatari” revela força e poesia de refugiados sírios na Jordânia

Crise ameaça renovação da classe científica brasileira, diz Marcelo Viana, organizador do Congresso Internacional de Matemáticos

Revista acadêmica francesa lança número especial sobre crise política no Brasil

"Existe um índio dentro de cada brasileiro", diz Ernesto Neto, em cartaz com a escultura monumental GaiaMotherTree na Suíça

Turistas brasileiros cada vez mais interessados em história da arte em Paris

“Riqueza infinita”: apresentador Gilles Bourgarel promove música brasileira há 14 anos na Françar

“Discussão sobre identidade de gênero no teatro é uma tendência mundial”, diz professora da USP que acompanha o Festival de Avignon