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Hospital desativado em Paris vira ocupação artística e ecológica temporária

Por Patricia Moribe

No centro de Paris, um espaço de 3,5 hectares abriga alojamentos para pessoas em dificuldades, com restaurante orgânico, padaria artesanal e vários ateliês de artistas. Uma espécie de pop-up store, uma experiência temporária feita à base de solidariedade e muita criatividade. Bem-vindos ao Les Grands Voisins, Os Grandes Vizinhos.

Enquanto não vira um novo bairro ecológico, com espaço verde e escolas, o hospital desativado Saint-Vincent de Paul (São Vicente de Paula), no centro de Paris, vive um período de ocupação inusitada e muito organizada.

Em 2012, o hospital fechou as portas. Como a manutenção do espaço vazio era trabalhosa, a prefeitura de Paris deixou a gestão da área para a ONG Aurore, especialista em alojar pessoas em dificuldades. Mas logo formou-se um coletivo de ONGs para melhor aproveitar o local.

Dia de festa e brechó nos Grandes Vizinhos. @Patricia Moribe

Portas abertas

“Em 2023 esta área será um novo bairro”, conta Florie Gaillard, responsável pela comunicação da ONG Aurore. “Em 2011 foram abertos os primeiros alojamentos e o nome Grandes Vizinhos veio com a abertura da área apara o público, no segundo semestre de 2015”, acrescenta.

“Estamos em uma segunda fase do projeto. Há o alojamento de pessoas em dificuldades e estruturas para que elas desenvolvam atividades profissionais. Há ateliês de artistas, artesãos, escritórios de associações e startups. O público pode frequentar o restaurante, o bar, e participar dos programas culturais e artísticos”, diz a responsável.

 A agenda de agosto, aliás, promete. Tem festival sírio de arte engajada, cinema ao ar livre, concertos variados, noites com DJ e várias atividades físicas.

Trabalhar coletivamente

Os Grandes Vizinhos é local também de grandes oportunidades.“É difícil descrever, ainda não consigo acreditar que estou aqui. É um local meio utópico, reunindo muitos artistas, artesãos e empreendedores”, conta Lucy de Oliveira, filha de pai brasileiro, que tem um ateliê/butique de artigos de couro batizado de “abacaxi”. “O artesanato é uma atividade solitária, mas aqui a gente se encontra e eventualmente pode criar outros projetos”, diz a artesã.

Lucie de Oliveira trabalha em seu ateliê e butique batizado de "abacaxi". @Patricia Moribe

As pessoas em dificuldades que se beneficiam dos alojamentos de urgência também recebem suporte moral. Philippe, por exemplo, já foi sem-teto. Ele chegou há cinco anos. Depois de um período de adaptação, começou a refletir sobre o que fazer da vida. “Os pensamentos ficaram mais positivos, mais estéticos. Resolvi colocar isso no papel. E comecei a desenhar”, conta. Philippe agora é um dos artistas dos Grandes Vizinhos e já expôs na galeria comunitária.

Depois de viver na rua, Philippe ganhou uma nova vida nos Grandes Vizinhos. @Patricia Moribe

Os Grandes Vizinhos vão funcionar até 2020, com a entrega gradual dos espaços para a prefeitura de Paris. Até lá, a animação e a criatividade estão na ordem do dia.

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