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Exposição em Paris revela o amor e o sexo na Idade Média

Por Patricia Moribe

Como era a relação amorosa na Idade Média? Uma exposição em Paris revela detalhes curiosos e inusitados dos meandros da sedução, da vida a dois e os pecados daquela época.

A Torre Jean Sans Peur – Torre João Sem Medo – vestígio medieval espremido no centro de Paris, traz um panorama do amor na Idade Média, através de documentos e reproduções iconográficas. A curadoria é da historiadora Danièle Alexandre-Bidon, do grupo de Arqueologia Medieval da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais, de Paris.

Agnès Lavoye, responsável pelo setor de comunicação e atendimento ao público da Tour Jean Sans Peur, fala sobre a exposição:

“As referências vêm de manuscritos. As iluminuras trazem detalhes impressionantes, das relações entre amor e religião. A antiguidade ainda está muito presente, com a presença de deuses como Vênus e Cupido, vestidos à moda medieval. Mas a Igreja impunha o modo de vida a dois, um casal era ligado mais pela amizade, pois não existe a demonstração de sentimentos, do amor em ebulição. A loucura do amor é uma doença que precisa, portanto, ser tratada”.

Igreja dita regras

O papel da Igreja na vida de um casal é predominante, como conta Agnès Lavoye:

“Tudo gira em torno da Igreja, a tal ponto que é preciso obedecer a um chamado calendário amoroso imposto por ela, que permite a relação sexual em um terço do ano, respeitando principalmente festas religiosas. Quem não obedecia, fazia penitência. Há os livros penitenciários da época, que prescrevem as punições mas relatam também as contravenções cometidas, mostrando que havia uma grande diferença entre o que a Igreja ditava e a realidade.”

Os animais também servem de referência ao amor, ao casal. Esquilos, coelhos e macacos, por exemplo, aparecem em ilustrações como símbolos da luxúria. Geralmente as associações são misóginas, sempre com um animal representando a mulher, nem sempre de forma muito elogiosa. A jumenta, no caso, era símbolo da fecundidade, tendo sido inclusive cantada pelos trovadores da época.

Castelos, corações e castidade

As simbologias são infinitas. A mulher é o castelo que o homem quer penetrar. Já os corações aparecem como sinônimo de amor, que é cantado por trovadores principalmente nos séculos XI, XII e XIII.  O órgão masculino, que representa o poder da reprodução, aparece com frequência nas ilustrações de manuscritos. A exposição faz cair o mito do cinto de castidade, que na verdade nunca existiu durante a Idade Média, mas foi inventado em épocas modernas e associado às trevas medievais.

O ideal feminino, sempre do ponto de vista masculino, é o de uma jovem de longos cabelos loiros, pele alva e anca larga, propícia para a maternidade. Já a aparência masculina é bem descrita nos manuscritos, mas pouco ilustrada, pois a Igreja teme associações com o homossexualidade. Para a instituição, a perda do esperma em relações entre dois homens ou pela masturbação era um grande desperdício. O lesbianismo era até recomendado para estimular o corpo da mulher para a procriação.

O ato amoroso em si aparece em manuscritos medicinais, que descreve como se deve dar o coito, sempre com o homem sobre a mulher, exceto quando ela está grávida ou ele é obeso. Outras posições são expostas, mas não eram recomendadas.

Graças aos manuais bastante detalhistas e enciclopédias é que os pesquisadores têm à disposição um rico material de investigação. Esses documentos também foram inspiração para obras literárias como Decamerão, de Boccaccio, do século XIV.

A exposição e as visitas guiadas na Tour Jean Sans Peur acontecem em francês, mas as imagens que acompanham os textos são bastante explícitas.

O amor na Idade Média fica em cartaz até 2 de setembro.

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