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Cidade Fértil: Paris ganha gigantesco espaço cultural, alternativo e futurista

Por Márcia Bechara

Ao longe, ouve-se o apito dos trens de alta velocidade da SNCF, a companhia de transportes ferroviários da França. As sirenes se misturam ao barulho da música e das discussões entre festa, jogos, exposições e ateliês diversos que embalaram a abertura, neste 15 de agosto último, da Cité Fertile, a Cidade Fértil.

O maior espaço cultural alternativo de Paris, com 10 mil metros quadrados de atrações, inclue incubadoras, ações de cidadania, projetos culturais, espetáculos, iniciativas de agricultura familiar e reflorestamento, gastronomia, e até produção artesanal de cerveja.

Na onda de espaços alternativos que vêm se multiplicando na região parisiense, com um olhar tecno-ecológico (o chamado green tech), a Cité Fertile, ou Cidade Fértil, em português, abriu suas portas em Pantin, nos arredores de Paris, com a ambição de transformar uma antiga estação e depósito ferroviários em um catalisador de encontros que motivem comportamentos culturalmente responsáveis.

“A particularidade da Cidade Fértil é que ela é um espaço de 10 mil metros quadrados, aberto por três anos. Durante o fim do verão, do 15 de agosto ao 14 de outubro, será um tempo de exploração do que vamos experimentar durante os próximos três anos, nessa transição territorial, porque, na verdade, estamos num local que era um antigo depósito de mercadorias da SNCF e que agora é destinado a acolher o futuro na cidade de Pantin”, explica Clémence Vazard, que dirige a iniciativa.

E qual seria o futuro possível em época de aquecimento global e redes sociais?

“O futuro, para a Cidade Fértil, é certamente inovador, mas não exatamente muito conectado ou tecnológico. Aqui a tecnologia está a serviços de valores duráveis, são corresponsabilidades visando uma cidade melhor e um mundo mais virtuoso com o planeta”, diz Clémence.

Na frente dos antigos estábulos, o "mapa da mina" da Cidade Fértil em Pantin, nos arredores de Paris. RFI/Márcia Bechara

Mas, para além de uma programação culturalmente inovadora, que visa conscientizar sobretudo a parcela jovem da população para temas de cidadania e coletividade, a Cidade Fértil possui um alto engajamento ecológico, como conta Stéphane Vatinel, idealizador do local e diretor da agência SINNY&OOK.O, especializada em dar uma segunda vida a lugares insólitos ou abandonados de Paris.

“Somos muito ambiciosos. A ideia é tentar fazer as pessoas participarem de um projeto que vai lhes fazer tomar consciência de que é possível existir um gesto ecológico, e que isso é fácil de ser realizado. Na verdade, temos sempre a impressão que ter uma consciência ambiental seja mais complicado do que imaginamos e na verdade, muito frequentemente, é necessário apenas aprender alguns gestos”, afirma.

Diversão & Diversidade

Com uma programação cultural que explora exposições, conferências, mas também fanzines, podcasts, rádios web e outras narrativas, a Cidade Fértil pretende multiplicar formas culturais, investindo na diversidade, segundo Vatinel.

“Há 20 anos atrás, eu achava que a cultura era simplesmente música, dança, pintura, teatro, cinema, eu acho que a cultura se resumia a isso. Na verdade eu tinha me confundido, isso é a cultura artística. Na verdade, a cultura, quando falamos em sua acepção integral, compreende um monte de assuntos, como a cozinha, podemos falar de artesanato, mas também tudo o que aprendemos relativamente aos gestos do cotidiano”, explica o empresário.

“Na Cidade Fértil, vamos tentar durante quatro anos, sobre um local que era extremamente mineral e industrial, e não necessariamente agradável, de vegetalizá-lo, de organizar conferências, exposições em torno de temáticas ambientais e ecológicas com um fundo artístico, mas onde o principal princípio cultural será a cultura ambiental”, resume.

Público diverso e variado compareceu à abertura da Cidade Fértil, em 15 de agosto de 2018. RFI/Márcia Bechara

Para Thomas, de 41 anos, a Cidade Fértil veio para ficar: “É exatamente o tipo de lugar que falta em Paris. Em Paris há um monte de lugares pequenos, bares, restaurantes, mas não existem grandes espaços, e, ainda por cima, grandes espaços abertos, é exatamente isso que faz a diferença aqui, é isso que me deu vontade de vir”, conta. 

As amigas Ana, de 28 anos, e Célia, de 27, concordam. “Como era o feriado de 15 de agosto, o dia estava bonito, a gente decidiu vir conhecer este novo lugar que acabou de abrir, vimos uma matéria no Le Parisien e achamos que seria legal vir descobrir o espaço, é muito legal, tem muita gente, mas é legal”, diz Ana.

“O dia estava bonito, era o momento para aproveitar e beber num espaço aberto, então viemos aqui. Não estamos decepcionadas, achamos que será um pouco o novo lugar da moda de Paris”, afirma a também parisiense Celia. 

A Cidade Fértil mantém suas portas abertas até 14 de outubro, quando termina a primeira fase do projeto.

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