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Em Paris, o artista travesti Grayson Perry discute a sexualidade através de obras de arte

Por Patricia Moribe

Grayson Perry, 58 anos, um dos artistas mais conceituados da cena britânica, ganha uma retrospectiva na Monnaie de Paris, antiga Casa da Moeda.  São cerâmicas, tapeçarias gigantes, esculturas, fotos, quadros... Ele também escreve livros e é um documentarista premiado. Um artista plural, um observador perspicaz da sociedade, principalmente a britânica, cujos preconceitos, tradições e idiossincrasias aparecem com frequência na obra de Perry.

Em 2003, Perry ganhou o prêmio britânico Turner, um dos mais importantes do mundo das artes plásticas. Ele subiu ao palco transvestido em Claire, com um vestido curto lilás cheio de frufrus, laçarote no cabelo e sapato vermelho de verniz. Na plateia, estavam sua mulher e sua filha.

The Upper Class at Bay,2012,Wool.jpg GraysonPerry/courtesy the artist and victoria Miro, London/Venic

“Quando ganhei o prêmio Turner, um jornalista me perguntou se eu era um artista sério ou um cara engraçado?”, conta Perry em uma entrevista de TV. “Não acho que sou o primeiro artista engraçado do mundo. Ou que é travesti. Eram como se fossem qualidades incompatíveis e resolvi adotar isso. Sou ambos e vocês vão ter que aceitar isso!”, diz.

Masculinidade virada do avesso

Heterossexual, mas travesti desde pequeno, a sexualidade é um tema predominante. A masculinidade é virada do avesso e questionada a todo momento. Ele conta, no vídeo que acompanha a exposição.

“Gênero – o que define um homem ou uma mulher – sempre me interessou, por eu ser um transvesti. Eu era muito safadinho, desde pequeno. Quando eu me vesti de anjo Gabriel, na escola, foi uma revelação sexual, tive uma fantasia a respeito de me vestir como uma mulher. Um dia vi uma reportagem sobre transvestis num jornal tabloide e pensei. Oh Meu Deus, tem outros como eu. Nesse momento eu soube que era um e foi interessante. Mantive isso em segredo, não era algo para contar vantagem, só sai do armário na escola de artes e daí virou uma quase vantagem”.

Kenilwort AM1,2010Custom-built motorcycle GraysonPerry/courtesy the artist and victoria Miro, London/Venic

Cerâmicas fálicas

Grayson Perry é conhecido principalmente por suas cerâmicas, cujas formas remetem à antiguidade e tradições, mas decoradas com colagens, imagens fálicas e demoníacas:

“Eu não sabia que a cerâmica ia se tornar meu material de referência, pelo menos me colocou no caminho para se trabalhar a tradição. Imediatamente eu dialogava com outros períodos e artistas. Ainda hoje faço isso, com qualquer material que eu esteja trabalhando. Vou muito a museus para me inspirar. Nunca busquei a originalidade. Eu copio algo e deixo algum defeito. Daí vira algo novo”, explica rindo, na entrevista veiculada na Monnaie, de Paris.

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