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Diretora de teatro de Belo Horizonte divulga festival artístico interdisciplinar em Paris

Por Nina Santos

Ione de Medeiros é diretora teatral do grupo Oficcina Multimédia há 35 anos e está em Paris para divulgar a 13ª edição do festival Verão Arte Contemporânea, que acontece em Belo Horizonte. Medeiros explica que o festival nasceu do trabalho do grupo Oficcina Multimédia, que é interdisciplinar e trabalha com diversas linguagens artísticas.

Ela conta que vê Belo Horizonte como uma cidade muito criativa e que investe muito em pesquisa e experimentação. Considerava, no entanto, que faltava na cena local um momento onde fosse possível ver toda essa criação reunida. Daí a ideia de lançar o festival com o nome "verão", que faz referência tanto à estação do ano quanto ao verbo ver. A proposta é "mostrar ao público o que Belo Horizonte produz", relata.

Local e global

Apesar de reunir criações locais, Medeiros não descarta a dimensão internacional desse processo, por isso esteve em Paris para falar do seu trabalho. "Hoje com a internet não adianta você querer fazer um local tão afunilado que você não vá buscar pessoas que possam contribuir, fazer intercâmbios, trocas", argumenta ela ressaltando que "é preciso estar conectado com a época em que se está vivendo".

A diretora cita como exemplo a grande influência que o cinema da nouvelle vague francesa teve nas produções brasileiras e conta que gostaria muito de poder fazer uma homenagem a Agnès Varda no festival. Medeiros acredita que ter referências externas "traz um olhar de fora pro nosso país", o que ajudaria a ampliar os horizontes de quem muitas vezes não pode viajar.

Ione de Medeiros com Herique Mourão e Jonnatha Horta Fontes, atores e produtores do grupo Oficcina Multimédia. Nina Santos/RFI

"Quando você está fazendo arte, você está fazendo política", opina Ione de Medeiros. Segundo ela, o artista tem um faro para retratar o seu tempo,  falar do "momento e das necessidades da época em que se está vivendo". Por isso ela conta que o festival envolve também uma parte de reflexão e debate sobre políticas contemporâneas.

Percursos artísticos

Além do festival, Ione de Medeiros também dirige, há 35 anos, o grupo Oficcina Multimédia e, em 2018, estreou pela primeira vez uma peça com texto de Nelson Rodrigues. Ela conta que isso foi um grande desafio porque sua formação é musical o que fez com que sua produção não seguisse uma "dramaturgia convencial". "Era mais esse olhar abstrato, não tinha um texto", explica ela, relatando que em 1977 isso causava muita estranheza e dificultava a classificação das produções como teatro, dança ou literatura.

Segundo ela, foram precisos 35 anos de experiência para fazer uma dramaturgia com personagem, texto, com localização. Um grande desafio nesse momento foi incorporar o espírito do Rio de Janeiro, incorporado no texto de Nelson Rodrigues. "Eu acho até difícil traduzir Nelson Rodrigues de tão brasileiro que ele é", afirma.

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