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Exposição no museu da moda de Paris celebra influência do Japão nas artes

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Moda pontua o percurso da exposição que faz parte da temporada cultural que homenageia o Japão este ano na França. RFI/Silvano Mendes

O Museu das Artes Decorativas de Paris inaugurou na quinta-feira (15) a exposição Japon-Japonismes : Objets inspirés. O evento propõe um panorama sobre a riqueza da cultura japonesa e sua influência nas disciplinas artísticas ocidentais.


O mais complicado para os organizadores foi selecionar as peças no gigantesco acerto da instituição, um dos mais importantes do país, para resumir, em três andares, as relações artísticas entre Japão e Europa nas artes decorativas. “Foi uma escolha difícil. A única coisa que sabíamos desde o início é que não queríamos fazer uma exposição cronológica”, explica Béatrice Quette, conservadora das coleções asiáticas da instituição e uma das comissárias da mostra.

Para ela, o objetivo não era contar a história de uma civilização, coisa que seus colegas do Museu Guimet, instituição de referência na França no que diz respeito à arte asiática, já fazem muito bem. “Nós temos coleções japonesas que contam os aspectos técnicos, as habilidades artesanais, os desenhos, as formas, os usos... E é isso que queríamos mostrar por meio de temas que deixam aberta a porta para se explorar o Japão e o japonismo”.

Apesar da modéstia da comissária, vale lembrar que desde sua fundação, em 1864, o Museu das Artes Decorativas de Paris, que agora adotou o nome de MAD, foi o pioneiro na valorização da arte japonesa na França. Em 1869 a instituição já fazia a sua primeira exposição de arte ocidental, principalmente vinda do país do sol nascente.

Para esse evento, organizado em torno de cinco temas (os atores da descoberta, a natureza, o tempo, o movimento e a inovação), o MAD também contou com a colaboração de outras instituições, que emprestaram algumas peças. O resultado é uma exposição com 1400 obras, abrangendo diferentes disciplinas artísticas. A poltrona Cabbage, de Sato Oki, datando de 2008, dialoga sem pudores com uma espreguiçadeira concebida por Charlotte Perriand em 1940, enquanto cartazes do século 20 são apresentados não muito longe de brinquedos ou peças de porcelana de uma beleza rara.

Peças de design japonês, ou influenciadas pelo Japão, fazem parte do percurso da exposição parisiense RFI

“Queríamos ter uma liberdade total no espaço, mas também no tempo, expondo diálogos de objetos antigos com peças bastante contemporâneas, para mostrar que essa inspiração não é algo do passado”, explica a comissária da exposição, que faz parte da temporada cultural que homenageia o Japão este ano na França.

Moda tem lugar de honra

As roupas e acessórios do vestuário têm um lugar especial na mostra, não apenas por se tratar de um dos museus da moda da capital francesa, mas também pela importância dos estilistas japoneses na evolução da disciplina. “Desde os anos 1970 nós constituímos coleções importantes de moda feita por costureiros japoneses, como Issey Miyake e Kenzo”, conta Béatrice Quette. “É importante mostrar que a história de nossa instituição com o Japão se construiu com o design e o grafismo, mas também com a moda”, insiste.

Tradição e modernidade se misturam na seleção de peças escolhidas para a exposição sobre arte japonesa RFI

Além dos nomes conhecidos das passarelas, alguns jovens designers foram convidados para fazer parte da exposição. É o caso de Tatehana, que apresenta impressionantes sapatos plataforma, ou da estilista Saint-Martin, que questiona a importância do corpo com seus macacões segunda-pele. O trio de novos talentos convidados pela conselheira científica Junko Koshino é completado por Nakazato, cujas criações levantam o debate sobre o futuro da moda, a reciclagem ou ainda o uso do patrimônio como fonte de inspiração. Prova que a moda japonesa vai bem além dos quimonos ou dos clichês sobre os looks sombrios dos estilistas dos anos 1980.

A exposição fica em cartaz até o dia 3 de março.