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Artista brasileiro expõe na Itália obras de seu ateliê com portadores de deficiência

Por RFI

O artista plástico e cineasta César Meneghetti nasceu em São Paulo em 1964 e viveu 27 anos na Europa. Atualmente ele mora em São Paulo, mas está em Roma para inaugurar sua nova exposição chamada Inclusion/Exclusion, titulo em inglês que significa Inclusão/Exclusão, na qual expõe trabalhos de portadores de deficiência física e mental.

Gina Marques, correspondente da RFI em Roma

Meneghetti tem uma longa trajetória no exterior: ele estudou na Inglaterra e na Itália, além de expor em mais de 40 países. O artista participou de diversas bienais internacionais, entre elas em Veneza, Cairo, Cerveira, La Paz, Teerã e Sharjah, nos Emirados Árabes Unidos. Recebeu também vários prêmios cinematográficos. As suas obras unem cinema e artes plásticas. Nesta mostra, que vai até 31 de janeiro de 2019 no Museu Vittoriano, no centro da capital italiana, ele expõe 52 artistas deficientes, trabalho que iniciou há oito anos.

“Todo mundo pode ser um artista em potencial. Eu trabalhei com 200 pessoas com desabilidade mental, que fazem laboratório de arte na Comunidade de Santo Egídio, em Roma. Depois que você vê a mostra, escuta eles falarem, vê os trabalhos deles, você fala: 'Meu Deus, eu não sabia nem que eles pensavam'. A gente é muito preconceituoso. Para mim, se a arte dispensa uma das coisas, um ser humano que está desavantajado, já não é arte. A arte que é feita por pessoas de uma elite, para uma elite, eu acho que não tem futuro.”

Os artistas se reúnem duas vezes por semana no ateliê acompanhados por voluntários. O local pertence à Comunidade de Santo Egídio, uma organização católica fundada em 1968 no bairro de Trastevere, na capital italiana. Trata-se de um antigo hospital construído no século 16 para acolher os peregrinos do Jubileu de 1550.

Com 20 obras, incluindo quadros, esculturas, vídeos e instalações, a mostra Inclusion/Exclusion fala dos excluídos, dos refugiados, dos pobres, dos manicômios, das prisões e das periferias.

Logo no início do circuito, o visitante encontra uma instalação com uma tela gigantesca na parede, transmitindo imagens do mar Mediterrâneo, enquanto passam os nomes de 3.190 pessoas que morreram este ano durante a travessia para chegar à Europa. Para completar, barquinhos de papel feitos pelos deficientes estão no chão, um pavimento de uma antiga vila romana.

“Na verdade, veio da ideia de pessoas com desabilidade. Eles fizeram três mil barquinhos de papel na tentativa de salvar essas pessoas. É uma tentativa fictícia, conceitual e poética de salvar pessoas que são invisíveis, mas que são seres humanos como a gente.”

César Meneghetti (de costas) e participantes do ateliê da comunidade de Santo Egídio. Foto: Gina Marques /RFI Brasil

Esta é a segunda grande mostra que César faz com deficientes. "A diferença entre as mostras é que esta não é de César Meneghetti e sim de 53 artistas, na qual eu participo. Pela primeira vez os quadros deles são expostos em um grande museu."

A exposição anterior do artista plástico paulista, chamada I\O_ IO È UN ALTRO “Eu é um outro”, percorreu o mundo. Para realizá-la, Meneghetti gravou vídeos, perfomances e depoimentos de pessoas com desabilidades. O resultado foi apresentado na Bienal de Veneza (2013), no Museu da Santa Sé (USA), no Chiostro del Bramante, no Museu MAXXI (2016) e no Instituto de Cultura Italiano de Londres. O trabalho anterior demorou três anos para ser concluído.

“Foram quatro etapas. Na primeira, filmei, fotografei e falei com eles. A segunda etapa foi um workshop, onde eu ensinava essas pessoas a trabalhar com meios tecnológicos e outros tipos de coisa. A terceira foi mais acadêmica, estudei junto com eles. A última etapa foi uma performance, até com pessoas em cadeiras de rodas. Por que não? Foi uma coisa maravilhosa. Não só para mim, para qualquer pessoa, qualquer artista que colaborou comigo, qualquer voluntário.”

"Cabelos de Filomena", uma das obras da exposição com os artistas da comunidade Santo Egídio de Roma. Foto: Gina Marques

O artista ítalo-brasileiro contou como sentiu a necessidade de trabalhar com portadores de deficiência:

“Eu sou filho de imigrantes, neto de imigrantes. Eu mesmo fui imigrante. Eu adoro trabalhar com confins, com limites. Com essas pessoas, eu tinha um super limite, o limite da normalidade e da não normalidade. O que é uma coisa normal? Então, isso que me deu o clique de falar: eu vou fazer este trabalho com essas pessoas. Eu comecei e eu vi.”

Meneghetti ressaltou a sua satisfação em trabalhar com pessoas especiais.

“Foi uma experiência única. Essas pessoas eram o amor puro. Foi uma experiência incrível. Aí, eu me perguntei: será que eu posso voltar a fazer uma arte puramente estética? Ou, como diz a minha curadora, uma arte cosmética? Não, não posso. Eu fui picado por esse veneno. Ou seja, de fazer uma coisa bonita, onde as pessoas entram na minha mostra e saem transformadas.”

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