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Museu Suécia Culinária

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Museu das Comidas Nojentas conquista público com pratos “exóticos” na Suécia

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Andreas Ahrens, Curador e Diretor do Museu, (à direita) serve aos visitantes Surströmming (arenque fermentado) durante degustação em frente ao Museu da comida repugnante em Malmo, na Suécia, em 4 de novembro de 2018. Johan NILSSON / TT NEWS AGENCY / AFP

Em Malmö, no sul da Suécia, uma instituição peculiar passou a fazer parte do cenário cultural: chamado de “Museu das Comidas Nojentas”, a proposta é reunir os pratos “menos atrativos” do mundo. A ideia partiu de um americano que mora no país e deveria ser uma instalação temporária, mas seu sucesso a transformou num projeto ainda maior, com espaço próprio, que ficará aberto pelo menos até setembro de 2019.


Em Los Angeles, nos EUA, um projeto idêntico foi criado, dando a impressão de que o conceito vai virar franquia. Em resumo, o “Museu das Comidas Nojentas” é um local onde os visitantes testarão seus limites diante dos cheiros particulares de comidas como o tubarão fermentado – indispensável na Islândia –, o durian, fruta chinesa com gosto de vômito, ou ainda o pênis de touro, cheio de sangue, degustado na China após ter sido cozido. Sem se esquecer, por fim, dos vermes e insetos.

Mas a ideia é mais um conhecimento da cultura alheia do que um desprezo pelas atrações culinárias consideradas “exóticas”, provando que o “nojento” de uns é o “delicioso” de outros, num exercício de alteridade ímpar. São 80 pratos propostos, que podem ser sentidos, tocados e degustados, de todas as partes do globo, incluindo a Europa.

Olhar o prato do outro como forma de proteger o meio ambiente

Alguns exemplos das receitas europeias “exóticas” presentes no Museu são a “marmita”, uma pasta inglesa feita à base de levedura, espécie de fungo, e as latinhas suecas de surstömming, isto é, arenque fermentado. O cheiro do peixe é tão forte que é preciso abrir os recipientes dentro de um balde de água, fora de casa. Apesar de insuportável para alguns, há quem aprecie a iguaria.

Samuel West, criador do museu, ressalta que o “asco” é um “construção cultural”, que pode ser desconstruída através de reflexão e análise. Mas, além da aula de sociologia, ele também pretende deixar uma lição ecológica, demonstrando que, ao olhar o prato do outro, podemos aprender novos métodos de nutrição, com outras fontes de proteínas, menos nocivas ao meio ambiente.

A exposição tem 80 dos alimentos mais repugnantes do mundo, onde os visitantes aventureiros têm a oportunidade de cheirar e provar alguns desses alimentos notórios, como o pênis de toro cru. Jonathan NACKSTRAND / AFP

A dica foi dada: num mundo cada vez mais populoso, talvez será preciso, no futuro, ver os insetos, as larvas e as algas de maneira diferente. Ao invés de apenas surpreender com o exótico, o “Museu das Comidas Nojentas” propõe uma reflexão sobre as possíveis e necessárias mudanças alimentares do futuro.