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Cinema brasileiro faz resistência em festival de Roterdã

Por Patricia Moribe

Quase 50 títulos brasileiros estão na programação da edição deste ano do Festival Internacional de Filmes de Roterdã (IFFR), na Holanda. São curtas, médias, longas e projetos que vão ser exibidos numa maratona que vai até o dia 3 de fevereiro. “No Coração do Mundo”, de Gabriel Martins e Maurílio Martins, concorre ao Tiger, prêmio principal do festival.

O Festival de Roterdã não ostenta grandes nomes e nem grandes produções. Mas todo cineasta, principalmente brasileiro, pode falar sobre a importância de participar do evento no começo de carreira. O festival é conhecido por buscar preciosidades em todos os cantos do mundo e incentivar talentos, seja através do fundo de incentivo Hubert Bals ou do mercado CineMart, que otimiza encontros entre cineastas, produtores e financiadores.

O clima em torno do festival é descontraído, os moradores de Roterdã fazem questão de frequentar as sessões e encontrar os cineastas em talk shows e master classes, além de ser uma ótima oportunidade para fugir do frio glacial que faz nas ruas.

De Contagem para o mundo

“No coração do mundo” é um longa dirigido por Gabriel Martins e Maurílio Martins, da produtora mineira Filmes de Plástico. A dupla, sem parentesco, segue o dia a dia de moradores na periferia de Contagem. Um crime no começo do filme permeia a trama, envolvendo três famílias. “É um filme muito caro para nós”, diz Maurílio, "pois filmamos nas ruas onde crescemos, mas com uma linguagem cinematográfica rígida, pensada, debatida, com muitas referências”.

O festival também incentiva projetos, como é o caso de “E os meus olhos ficam sorrindo”, de André Novais Oliveira, outro mineiro da produtora Filmes de Plástico. Ele foi convidado para apresentar o projeto no Cinemart para tentar angariar co-produções e apoios. O segundo longa de André,  “Temporada”, foi o grande vencedor do último festival de Brasília, levando cinco Candangos, inclusive o de melhor filme.

Resistência

Questionados sobre as perspectivas do cinema brasileiro, os três cineastas mineiros sabem que os sinais não são otimistas, mas eles falam em resistência. “Todos do cinema nacional estão passando por uma situação difícil, de tentar entender como vai ser, com muito pesar, mas torcendo para as coisas melhorarem. E resistir”, diz André Novais Oliveira.

“É muito difícil tentar prever, mas por vários sinais, pela visão desse novo governo em relação à cultura, aguardamos que virão tempos difíceis pela frente. Espero que a classe se una, não podemos deixar a peteca cair, precisamos saber pressionar, cobrar”, diz Gabriel Martins. “Tivemos anos muito bons, que não podem ir por terra. Não vai ser fácil. Vão tentar derrubar coisas que foram construídas com muito esforço. Estaremos atentos”, promete o cineasta.

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